Noiadance e Corrida: A Combinação que Conquistou Porto Velho com o Movimento Funpace
O que começou com um pequeno grupo de amigos se transformou em um fenômeno em Porto Velho. Todas as terças-feiras, centenas de pessoas se reúnem para correr ao som contagiante do Noiadance, em um evento que vai muito além da atividade física. O coletivo Funpace, que significa “ritmo divertido”, une esporte, música e uma intensa vida social, criando um novo estilo de vida para os participantes.
O encontro, que acontece às 19h30 no complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM), é descrito pelos participantes como um verdadeiro “culto”. A proposta é clara: transformar a corrida em uma experiência coletiva, fortalecer amizades e incentivar um estilo de vida mais ativo e conectado. Esse movimento reflete o crescimento expressivo das corridas de rua no Brasil.
Segundo a Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor (ABRACEO), a modalidade cresceu 85% em 2025, após um aumento de 24% em 2024. Em Porto Velho, esse cenário ganhou uma identidade única com o Funpace, que nasceu oficialmente em setembro de 2025, a partir de um evento simples criado em uma rede social voltada para atividades físicas. Conforme informação divulgada pelo g1, o coletivo já soma mais de 20 encontros, com uma participação que evoluiu de cerca de 20 pessoas para centenas.
O Nascimento de um Fenômeno: De Poucos a Centenas de Corredores
Lucas Rômulo, um dos fundadores do coletivo, relembrou ao g1 que o primeiro encontro contou com a participação de 20 a 25 pessoas, a maioria mulheres. O início foi marcado por certa improvisação, e os encontros aconteciam em um posto de combustível na Avenida Jorge Teixeira. O percurso inicial de cinco quilômetros passava por importantes avenidas da cidade, retornando ao ponto de partida.
O crescimento foi notável. A cada semana, mais pessoas aderiam ao “dress code” do grupo, que consiste em usar roupas pretas ou brancas. De dezenas, os participantes chegaram a centenas. “A cada semana era nítido que mais pessoas compareciam aos encontros. Mas, a partir da NR 09, saímos de 100 para mais de 300 participantes todas as semanas”, conta Lucas ao g1. O evento “Holidays Run”, último de 2025, marcou a mudança para o complexo da EFMM, buscando um espaço que representasse a identidade cultural e histórica de Porto Velho.
A Magia do Noiadance e o Lema “Ninguém Solta a Mão de Ninguém”
A proposta do Funpace sempre foi fugir da pressão das corridas tradicionais, focando no prazer da corrida, na experiência e na companhia. O lema “ninguém solta a mão de ninguém” resume essa filosofia. Durante os cinco quilômetros, os corredores seguem juntos, guiados por um “pacer”, responsável por manter o ritmo coletivo.
O que impulsiona o grupo vai além do fôlego: playlists recheadas de música, com destaque para o Noiadance, transformam a corrida em uma experiência quase coreografada. O estilo musical, que ganhou projeção nacional em 2025 com o hit “Santinha” do DJ Felipe Moraes, já era parte da cultura popular de Porto Velho há anos, embalando festas e eventos. O Noiadance, que não fazia parte das primeiras playlists do grupo, introduzido a pedido de uma participante, “foi colocar a música e a magia acontecer. Algo instantâneo aconteceu. A atmosfera mudou”, relembra Lucas ao g1.
Corrida como Estilo de Vida e Conexão Social
A música é considerada por Lucas parte fundamental da experiência, reforçando a liberação de dopamina e o prazer de cantar e dançar juntos. A seleção musical é pensada para agradar a todos, inclusive famílias com crianças. As batidas aceleradas do Noiadance ajudam o grupo a manter o ritmo durante a corrida, tornando a atividade física uma fonte de prazer e recompensa.
O preparador físico Sandro Migueres explica ao g1 que a pandemia impulsionou ainda mais a corrida de rua, tornando-a acessível e um estilo de vida para muitos jovens. Grupos como o Funpace são essenciais para manter a motivação e fortalecer o hábito da prática esportiva. “Correr sozinho é bom. Correr fazendo parte de um grupo é melhor”, afirma Migueres, destacando que o incentivo, a amizade e o senso de pertencimento são fundamentais.
Para muitos participantes, o Funpace transcendeu a corrida, tornando-se um espaço de criação de amizades, relacionamentos e novas conexões sociais em Porto Velho. O movimento fortalece a economia local, movimenta o complexo da EFMM e representa um projeto pioneiro de corrida coletiva na região Norte. O Funpace “furou a bolha” e ajudou a transformar hábitos e comportamentos na capital rondoniense.
