Papa Francisco nomeia ex-imigrante ilegal, que entrou nos EUA escondido em porta-malas, como bispo; crítica a Trump se intensifica

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Papa Francisco escolhe ex-imigrante, que entrou nos EUA escondido, para ser bispo e intensifica críticas a políticas migratórias de Trump

Em uma decisão que ressoa com as complexas questões migratórias atuais, o Papa Francisco nomeou Evelio Menjivar-Ayala, um religioso que entrou ilegalmente nos Estados Unidos escondido no porta-malas de um carro, para o cargo de bispo. A nomeação, anunciada pelo Vaticano nesta sexta-feira (1º), ganha destaque em um momento de crescentes tensões entre a Santa Sé e a administração do presidente Donald Trump, especialmente no que diz respeito às políticas de imigração.

Menjivar-Ayala, de 56 anos e originário de El Salvador, chegou aos EUA em 1990 fugindo de um conflito armado em seu país natal. Sua jornada até a cidadania americana, obtida em 2006, começou de forma clandestina, e hoje ele se tornou uma voz crítica às políticas migratórias do governo Trump, defendendo um tratamento mais humano e digno para os imigrantes e refugiados.

A escolha de Menjivar-Ayala para a diocese de Wheeling-Charleston, na Virgínia Ocidental, sublinha o compromisso do Papa Francisco com a defesa dos mais vulneráveis e sua visão de uma Igreja acolhedora. A nomeação também envia uma mensagem clara em meio a um debate acalorado sobre fronteiras e acolhimento, onde o pontífice e o presidente americano têm trocado farpas públicas.

Trajetória de Superação e Engajamento Social

Evelio Menjivar-Ayala construiu uma carreira notável na Igreja Católica após sua chegada aos Estados Unidos. Ele cursou filosofia no Seminário São João Vianney, em Miami, e posteriormente obteve mestrado em teologia pela Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino (Angelicum), em Roma. Seus estudos também incluíram o Pontifício Instituto Scalabriniano de Teologia Pastoral para a Mobilidade Humana, área que reflete sua própria experiência de vida.

Ordenado sacerdote para a Arquidiocese de Washington em 2004, Menjivar-Ayala tem se dedicado a diversas iniciativas de caridade e assistência, além de participar ativamente de conselhos e organismos da Igreja. Sua atuação o levou a se posicionar firmemente contra o que ele considera repressão migratória, como expressou em um artigo publicado no ano passado, onde questionou a postura daqueles que se omitem diante do sofrimento alheio.

“Àqueles que se calam ou pensam que isso não os afeta, àqueles que não se incomodam com isso — ou pior, que aplaudem — especialmente aqueles que são católicos, eu pergunto: vocês não veem o sofrimento de seus semelhantes?”, escreveu Menjivar-Ayala, demonstrando sua profunda preocupação com a crise humanitária enfrentada por migrantes.

Críticas Mútuas entre Papa e Presidente dos EUA

A nomeação de Menjivar-Ayala ocorre em um contexto de atritos evidentes entre o Papa Francisco e o presidente Donald Trump. O pontífice, em diversas ocasiões, defendeu um tratamento mais humano para imigrantes e refugiados, enfatizando que eles devem ser recebidos com dignidade. Essa postura, no entanto, tem sido alvo de críticas por parte do presidente americano.

Trump chegou a classificar o papa como “fraco” e acusou suas posturas de prejudicarem a Igreja Católica. Em abril, o presidente publicou em suas redes sociais uma crítica, afirmando que não queria “um papa que ache tudo bem o Irã ter uma arma nuclear”, uma declaração que, segundo a fonte, não encontra respaldo em falas do pontífice. O presidente também compartilhou uma imagem gerada por inteligência artificial, onde aparecia em uma pose similar à de Jesus.

O Papa Francisco, por sua vez, já manifestou que os países têm o direito de controlar suas fronteiras, mas ressaltou a importância de nações mais ricas auxiliarem no desenvolvimento dos países de origem dos imigrantes. Essa abordagem visa reduzir as causas que levam ao deslocamento forçado e, consequentemente, à migração em massa, promovendo uma solução mais sustentável e humanitária para a questão migratória global.

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