Polícia Israelense Impede Cardeal de Celebrar Domingo de Ramos no Santo Sepulcro: ‘Primeira Vez em Séculos’

BRASIL

Restrições em Locais Sagrados de Jerusalém Causam Tensão e Críticas Internacionais

A polícia israelense impediu o Patriarca Latino de Jerusalém, Cardeal Pierbattista Pizzaballa, de celebrar a Missa do Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro. Segundo o Patriarcado Latino de Jerusalém, esta é a **primeira vez em séculos** que tal evento ocorre, gerando preocupações de segurança ligadas à guerra com o Irã.

O incidente ocorreu enquanto o cardeal e o frei Francesco Ielpo se dirigiam à igreja, local considerado sagrado pelos cristãos como o sítio da crucificação e ressurreição de Jesus. A decisão policial de bloquear o acesso ao local mais importante para a celebração cristã da Semana Santa gerou repercussão global.

A polícia de Israel justificou a ação citando preocupações com a segurança, especialmente em locais sem abrigos antibombas. Segundo as autoridades, a Cidade Velha de Jerusalém e seus locais sagrados foram fechados aos fiéis desde o início do conflito, afetando celebrações cristãs, muçulmanas e judaicas. A informação foi divulgada pelo Patriarcado Latino de Jerusalém.

Justificativas de Segurança e Aplicação de Restrições em Debate

A polícia israelense declarou que todos os locais sagrados na Cidade Velha, incluindo os de importância para cristãos, muçulmanos e judeus, foram fechados aos fiéis como medida de segurança devido à guerra com o Irã. A justificativa apresentada aponta que a complexidade da área da Cidade Velha dificulta o acesso de veículos de emergência, representando um risco em caso de incidentes com múltiplas vítimas.

No entanto, moradores da Cidade Velha e autoridades religiosas contestam a aplicação dessas restrições, alegando que elas não têm sido consistentes. Foi observado que pregadores muçulmanos tiveram acesso à Mesquita de Al-Aqsa durante o Ramadã, e funcionários realizaram a limpeza de inscrições de oração no Muro das Lamentações, um ritual anual, antes da Páscoa judaica.

Um porta-voz do Patriarcado, Farid Jubran, afirmou que a polícia foi informada de que a missa seria uma cerimônia privada e a portas fechadas. Apesar dessa comunicação, a polícia insistiu em impedir o acesso, segundo Jubran.

Condenação Internacional e Chamado ao Respeito à Liberdade Religiosa

A ação policial gerou fortes reações de líderes internacionais. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil condenou a decisão, destacando que ela ocorre em meio a restrições também ligadas ao Ramadã e que é contrária ao status quo histórico dos locais sagrados. O Brasil relembrou o parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça de 2024, que declarou a presença de Israel no Território Palestino Ocupado como ilícita.

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sanchez, criticou o ocorrido, chamando-o de um **ataque injustificado à liberdade religiosa** e exigindo que Israel respeite a diversidade de crenças e o direito internacional. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, considerou a proibição uma ofensa aos fiéis e às comunidades que defendem a liberdade religiosa. O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, anunciou que convocará o embaixador de Israel para prestar esclarecimentos.

O presidente francês, Emmanuel Macron, também condenou a decisão, classificando-a como um somatório às crescentes violações do estatuto dos Lugares Santos em Jerusalém. O embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, expressou dificuldade em entender ou justificar a proibição imposta ao cardeal.

Impacto nas Celebrações e o Significado do Domingo de Ramos

O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa, período de grande importância no calendário cristão, culminando na Páscoa. Tradicionalmente, a Cidade Velha de Jerusalém é palco de grande movimento de fiéis católicos romanos que se dirigem à Igreja do Santo Sepulcro.

Neste ano, as restrições policiais impediram que cristãos, muçulmanos e judeus celebrassem suas respectivas festas religiosas, como Páscoa, Ramadã e Pessach, de forma habitual. A Mesquita de Al-Aqsa permaneceu praticamente vazia durante o Ramadã, e a presença de fiéis no Muro das Lamentações, local sagrado para o judaísmo, foi reduzida.

Apesar do impedimento ao Cardeal Pizzaballa, frades franciscanos e outros fiéis foram autorizados a entrar em um santuário próximo ao Santo Sepulcro para celebrar o Domingo de Ramos. Uma fotografia da Reuters mostrou cerca de uma dúzia de pessoas com ramos de palmeira em oração.

Declarações Oficiais e Dúvidas sobre as Motivações

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que **não houve intenção maliciosa** e que a ação se deu por preocupação com a segurança do Cardeal Pizzaballa. Contudo, as declarações de Netanyahu não dissiparam as dúvidas levantadas por autoridades religiosas e moradores locais sobre a aplicação seletiva das restrições.

A falta de clareza e a aplicação inconsistente das medidas de segurança pela polícia israelense levantam questionamentos sobre o real motivo por trás do impedimento da celebração no Santo Sepulcro. O incidente destaca a complexidade das relações religiosas e políticas em Jerusalém, especialmente em períodos de tensão regional e conflito.

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