Polônia alerta: Rússia planeja ataques ‘acidentais’ com drones e mísseis contra Europa para enfraquecer apoio à Ucrânia

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Polônia revela plano russo de ataques híbridos contra a Europa para minar apoio à Ucrânia

O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, lançou um alerta contundente nesta quinta-feira (17), afirmando que a Rússia estaria planejando uma série de ataques “híbridos” contra nações europeias que apoiam a Ucrânia. Segundo Tusk, as informações foram obtidas por meio de agências de inteligência e visam enfraquecer a coesão da OTAN e a disposição dos aliados em defender Kiev.

O chefe de governo polonês detalhou que esses possíveis ataques seriam disfarçados de “acidentes”, com o objetivo estratégico de paralisar ou, pelo menos, diminuir a determinação dos países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em acionar os mecanismos de defesa coletiva previstos em caso de agressão a um de seus integrantes.

Essas declarações ocorrem em um contexto de crescente suspeita na Europa sobre o envolvimento russo em atos de sabotagem recentes, que teriam como finalidade pressionar aliados, especialmente a Alemanha, um dos principais fornecedores de ajuda militar à Ucrânia. O Kremlin, no entanto, nega veementemente qualquer participação nessas ações. Conforme informação divulgada pelo primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, ao Parlamento, essas ações russas poderiam coincidir com momentos de instabilidade política em alguns países europeus.

Ameaça de desestabilização e influência política

De acordo com Tusk, os ataques planejados pela Rússia poderiam também ocorrer em momentos de “mudanças políticas em determinados países europeus”. O líder polonês explicou que essas ações poderiam fortalecer grupos que, sob o pretexto de defender a paz e o pacifismo, na verdade advogariam por acordos que resultariam na “capitulação total da Ucrânia”.

Essa observação parece se referir ao crescimento de partidos com posturas mais favoráveis à Rússia em diversas nações europeias, como o Reagrupamento Nacional, na França, e a Alternativa para a Alemanha (AfD). A estratégia russa, segundo o alerta, seria utilizar esses movimentos para influenciar o debate público e político em favor de uma resolução do conflito que beneficie Moscou.

Alerta máximo na Polônia após ataque próximo à fronteira

O alerta de Tusk surge logo após a Polônia ter colocado seus aviões militares em estado de alerta elevado. A medida foi uma resposta direta a um ataque russo ocorrido no oeste da Ucrânia, próximo à fronteira polonesa. A proximidade do ataque gerou preocupação imediata nas autoridades polonesas.

Os aeroportos de Rzeszów e Lublin tiveram suas operações temporariamente suspensas. Além disso, moradores de duas regiões no leste da Polônia receberam alertas de ataque aéreo, com sirenes sendo acionadas e alunos de algumas escolas sendo levados para abrigos como medida de precaução. A imprensa local noticiou o receio gerado pelos alertas.

No último domingo (13), um drone russo atingiu um trem de passageiros na Ucrânia, a uma distância de apenas 2 km da fronteira com a Polônia, aumentando ainda mais a tensão na região. O ministro da Defesa polonês, Władysław Kosiniak-Kamysz, confirmou o reforço na proteção do espaço aéreo do país, anunciando o aumento da atividade de caças F-16 e helicópteros, além do fortalecimento dos sistemas de defesa aérea e de resposta rápida.

Cooperação em defesa aérea como resposta

Em meio a essas preocupações, o primeiro-ministro Tusk anunciou que viajará nesta sexta-feira (18) à Ucrânia para um encontro com o presidente Volodymyr Zelensky. A agenda da visita inclui discussões sobre a cooperação no âmbito da Coalizão Antimísseis.

Este grupo de países europeus está desenvolvendo, em parceria com a Ucrânia, um sistema de defesa aérea considerado uma alternativa mais acessível em comparação com os sofisticados sistemas Patriot, fabricados pelos Estados Unidos. A iniciativa visa fortalecer a capacidade defensiva da Ucrânia contra ataques aéreos russos, um ponto crucial no conflito em curso.

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