Agronegócio Brasileiro Apresenta Queda de 20,7% em Pedidos de Recuperação Judicial no Segundo Trimestre de 2026
O agronegócio brasileiro surpreendeu no segundo trimestre de 2026, registrando uma queda significativa de 20,7% nos pedidos de recuperação judicial. Foram contabilizadas 448 solicitações, um recuo considerável em comparação com as 565 registradas no mesmo período do ano anterior. Essa redução interrompe uma sequência de aumentos observada nos anos anteriores.
Apesar do alívio momentâneo, o cenário financeiro do setor ainda é visto como desafiador. Fatores como custos de produção elevados, maior rigor na concessão de crédito e o endividamento continuam a pressionar os produtores rurais e empresas ligadas à cadeia produtiva.
A análise é da Serasa Experian, que monitora produtores rurais, pessoas físicas e jurídicas, além de empresas da cadeia do agronegócio. Conforme divulgado pela Serasa Experian, a queda pode ser influenciada pela sazonalidade das atividades agropecuárias, pela entrada de receitas em determinadas épocas do ano e pelo avanço de renegociações de dívidas com credores.
O Que Explica a Redução nos Pedidos de Recuperação Judicial?
Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, aponta que a retração observada no segundo trimestre de 2026 pode estar ligada a um conjunto de fatores. A entrada de receitas para parte dos produtores, a natureza sazonal das atividades agropecuárias e o sucesso de negociações para reestruturar dívidas são os principais motivos apontados.
“A retração nesse segundo trimestre registrada em pelo menos dois dos três perfis analisados, pode estar relacionada a um período de maior entrada de receitas para parte dos produtores, à sazonalidade das atividades agropecuárias e ao avanço de renegociações com credores”, explica Pimenta.
No entanto, Pimenta ressalta que essa queda não deve ser interpretada como uma solução definitiva para os problemas financeiros do setor. A sustentabilidade dessa tendência dependerá dos resultados financeiros nos próximos trimestres. Acompanhar essa evolução é crucial para entender se a melhora é passageira ou se consolida.
Mato Grosso Lidera Pedidos, Mas Com Redução
Na análise por estado, o Mato Grosso continuou liderando o número de pedidos de recuperação judicial, totalizando 107 solicitações, o que representa 23,9% do total nacional. Apesar da liderança, o estado também observou uma redução em relação aos períodos anteriores.
Goiás apareceu em segundo lugar, com 84 pedidos (18,8%), seguido por São Paulo, com 72 (16,1%), Minas Gerais, com 54 (12,1%), e Paraná, com 42 (9,4%). Esses dados englobam produtores rurais pessoas físicas e jurídicas, além de empresas da cadeia produtiva.
Produtores Rurais Pessoa Física Ainda Concentram a Maior Parte dos Pedidos
Entre os produtores rurais que atuam como pessoas físicas, foram registrados 197 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre de 2026. Isso representa uma queda de 10,5% em comparação com o mesmo período de 2025. Mesmo com a redução, essa categoria ainda concentra o maior volume de solicitações.
No recorte por estado, o Mato Grosso também liderou entre os produtores físicos, com 49 solicitações, seguido por Goiás (46), Minas Gerais (23), São Paulo (22) e Paraná (16). Dentro deste grupo, produtores sem propriedades registradas, como arrendatários, somaram 70 pedidos.
Queda Mais Expressiva Entre Pessoas Jurídicas e Empresas da Cadeia
Os produtores rurais constituídos como pessoas jurídicas apresentaram uma queda mais acentuada, com 160 pedidos, uma redução de 34,2% em relação ao ano anterior. O cultivo de soja foi a atividade com maior número de registros neste grupo, com 70 pedidos, seguido pela criação de bovinos (28).
As empresas da cadeia do agronegócio também viram seus pedidos de recuperação judicial diminuírem, registrando 91 solicitações, uma queda de 10,8%. Os serviços de apoio à agropecuária lideraram nesse segmento, com 26 pedidos.
Ferramentas de IA e Planejamento Financeiro São Essenciais
A Serasa Experian destaca o uso de inteligência artificial para identificar precocemente sinais de deterioração financeira no agronegócio. Ferramentas como o Agro Score auxiliam na avaliação de riscos e na tomada de decisões de crédito mais seguras, considerando as particularidades do setor.
Marcelo Pimenta reforça a importância da preservação do fluxo de caixa, do planejamento financeiro e da busca ativa por renegociações de dívidas. Ele enfatiza que a recuperação judicial deve continuar sendo vista como uma alternativa de último recurso, buscando soluções mais ágeis e menos onerosas para a saúde financeira das empresas e produtores rurais.
