Investigação chocante desvenda rede internacional de homens que compartilham vídeos de mulheres dopadas e violentadas
Uma investigação jornalística internacional, aprofundada pela CNN, trouxe à tona a existência de uma perigosa rede global. Homens se organizam em fóruns, grupos privados e sites pornográficos para compartilhar vídeos e fotos de mulheres dopadas, inconscientes ou sedadas, que são então violentadas sem o seu conhecimento.
O material divulgado revela que os agressores não são figuras isoladas, mas sim homens comuns que se reúnem para trocar técnicas, incentivar uns aos outros e discutir estratégias para escapar da justiça. Essa descoberta reacende o alerta sobre a gravidade dos crimes sexuais cometidos em ambientes íntimos, muitas vezes por parceiros.
A dimensão do fenômeno é alarmante, levantando a preocupante questão de quantas mulheres podem ter sido vítimas desse tipo de abuso sem sequer saber. A investigação, iniciada por jornalistas alemãs e ampliada pela emissora norte-americana, confirma que casos como o de Gisèle Pelicot, na França, estão longe de ser exceções, conforme divulgado pela CNN.
Acesso a Conteúdo Ilícito e Troca de “Técnicas” em Plataformas Online
Um dos sites mencionados, o Motherless, uma plataforma pornográfica, registrou impressionantes 62 milhões de visitas em um único mês. Segundo a reportagem da CNN, mais de vinte mil vídeos de mulheres dormindo ou sedadas estão disponíveis na plataforma, com alguns conteúdos acumulando centenas de milhares de visualizações.
Jornalistas se infiltraram em grupos de chat onde homens compartilham abertamente conselhos sobre como dopar parceiras, filmá-las sem consentimento e como apagar rastros digitais. O anonimato e a sensação de cumplicidade nesses espaços criam um sistema difícil de desmantelar, alimentando a prática de crimes.
Canais Dedicados Ensinam Métodos de Dopagem e “Submissão Química”
A investigação também revelou a existência de canais dedicados exclusivamente a ensinar métodos de dopagem. Um desses canais, chamado “Zzz”, reúne homens que trocam informações sobre substâncias usadas para “submissão química”, incluindo dosagens, modos de administração e horários considerados “mais eficazes”.
Em conversas interceptadas, um homem descreve como “sua mulher não vai notar nada e não vai lembrar de nada”, enquanto oferece líquidos sedativos para venda. Essa prática configura um grave crime, com vítimas muitas vezes sem sequer imaginar o que lhes aconteceu.
Relatos de Vítimas e Ações Legais na França
A CNN localizou vítimas em diferentes países. Zoe Watts, da Inglaterra, descobriu que o marido triturava os soníferos do próprio filho para colocá-los em seu chá, a fim de violentá-la e filmá-la inconsciente. Na Itália, Valentina encontrou vídeos gravados pelo marido, onde aparecia sendo agredida após ser dopada.
Na França, associações como a Fondation des Femmes e a M’endors pas, fundada pela filha de Gisèle Pelicot, anunciaram a intenção de acionar a justiça. Elas afirmam que os “delitos organizados, dentro de verdadeiras comunidades, incentivam e estruturam a violência”, pedindo uma investigação preliminar para identificar usuários franceses e novas vítimas no país.
Apelo por Leis e Intervenção de Órgãos Reguladores
As organizações francesas solicitam a intervenção do Arcom, órgão regulador do audiovisual, e da plataforma Pharos, responsável por denúncias de conteúdos ilícitos na internet. O objetivo é bloquear e retirar dos resultados de busca sites como o Motherless, que hospedam vídeos de violações cometidas sob efeito de substâncias químicas.
Para combater essas redes, a Fondation des Femmes e a M’endors pas defendem a criação de uma lei específica contra a violência sexista e sexual. Elas ressaltam a urgência de políticas públicas capazes de lidar com crimes que se organizam no ambiente digital e se alimentam do anonimato, como evidenciado pela investigação sobre essa rede global de agressores.
