Richarlison apresenta documentos e rebate acusações em disputa por imóvel em Angra dos Reis
O jogador de futebol Richarlison, estrela do Tottenham e da seleção brasileira, decidiu expor publicamente sua versão sobre a disputa envolvendo uma propriedade de luxo em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Em um vídeo divulgado em suas redes sociais, o atleta apresentou documentos que, segundo ele, comprovam a legalidade da aquisição do imóvel, que está em conflito com o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo Richarlison, o imóvel, onde ele alega ter investido cerca de R$ 10 milhões, teria sido tomado pelo senador por meio de manobras judiciais após sua recusa em negociar a propriedade. O atacante afirmou que pessoas ligadas a Flávio Bolsonaro teriam agido para reaver a posse do imóvel.
A polêmica envolve o direito de ocupação de um terreno que pertence à União. A versão do jogador é que, após adquirir a posse do imóvel, surgiram interessados em comprá-lo, incluindo Flávio Bolsonaro. Como Richarlison não quis vender, ele alega que houve uma ação judicial para tomar a propriedade. Conforme o jogador, o advogado Willer Tomaz e o senador teriam buscado a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) para regularizar o imóvel em favor de Bolsonaro.
Richarlison detalha investimento e acusações contra Flávio Bolsonaro
Em sua defesa, Richarlison declarou: “Eu e o deputado Alencar [Alencar da Silveira Júnior] compramos a área em outubro de 2020. Investimos cerca de R$ 10 milhões entre pagamento aos antigos posseiros (R$ 4,66 milhões), reformas e segurança contra invasões. Indenizamos todos os antigos moradores, com acordo em cartório e a Justiça do Rio de Janeiro validou a nossa posse. Fizemos tudo dentro da lei”.
A disputa pelo casarão, que conta com uma cachoeira particular, se estende desde 2020. O jogador e seus sócios negociaram a compra, mas em 2022 foram surpreendidos com um mandado de reintegração de posse movido pela empresa M Locadora, representada por um advogado associado a Willer Tomaz. Richarlison também afirmou que o pedido de regularização do imóvel em seu favor ficou parado na SPU por 10 meses.
Advogado de Flávio Bolsonaro rebate e cita decisões judiciais
O advogado Willer Tomaz, por outro lado, sustentou que a aquisição dos direitos sobre o terreno foi legal e que ele desembolsou R$ 5 milhões para regularizar pendências fiscais, classificando os antigos ocupantes como invasores. Tomaz desafiou Richarlison a apresentar documentos que comprovassem seu vínculo com a propriedade.
Em nota, Tomaz declarou que os papéis exibidos por Richarlison “confirmam que o atacante pagou a posseiros, e não à proprietária de direito”. Ele também apontou divergências nos valores apresentados pelo jogador e mencionou que o negócio passou por um inquérito policial, que foi arquivado por falta de indícios de crime. Tomaz ainda afirmou que o senador Flávio Bolsonaro jamais integrou a disputa, tendo figurado apenas como testemunha.
Representação ao MPF e situação do jogador no Tottenham
Enquanto a disputa judicial segue, o coletivo Derrubando Muros enviou uma representação ao Ministério Público Federal (MPF) para investigar o processo que atribuiu o direito de ocupação do imóvel a Flávio Bolsonaro. O grupo alega que há indícios de advocacia administrativa, ou seja, uso de recursos públicos para benefício particular.
Paralelamente à questão judicial, Richarlison vive um momento de indefinição no Tottenham. Fora dos planos do técnico, o jogador teve seu nome ligado a diversos clubes, mas nenhuma negociação avançou até o momento. Seu contrato com o clube inglês vai até junho de 2027.
