Colômbia em Reta Final: Marketing Político Explora Símbolos Inusitados em Disputa Presidencial
A Colômbia se prepara para um segundo turno eleitoral marcado por estratégias de marketing político singulares e contrastantes. De um lado, um candidato de ultradireita que adota a imagem de um tigre e a continência militar como seus símbolos. Do outro, um aspirante de esquerda que busca engajar jovens com a cultura do K-pop sul-coreano.
Essa polarização se reflete em abordagens de campanha radicalmente diferentes, com um apostando em um discurso forte e nacionalista, enquanto o outro foca em uma base mais jovem e conectada a tendências globais. A escolha entre Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda, apoiado pelo atual presidente Gustavo Petro, definirá os rumos do país após um governo de esquerda.
Os símbolos escolhidos pelos candidatos vão além das propostas, buscando criar conexões emocionais e identitárias com o eleitorado. A camisa da seleção colombiana de futebol, em particular, tornou-se um ponto de discórdia e apropriação, demonstrando como elementos culturais se tornam arenas de disputa política. Conforme informação divulgada, a Colômbia vai às urnas neste domingo (21) para escolher entre o candidato de ultradireita Abelardo de la Espriella e o candidato de esquerda Iván Cepeda.
O “Tigre” Espriella e a Militarização da Campanha
Abelardo de la Espriella, um outsider sem experiência prévia em cargos públicos, construiu uma persona teatral, adotando o apelido de “El Tigre”. Essa alcunha, segundo sua página na internet, foi inspirada por uma declaração do ex-presidente Álvaro Uribe, que em 2024 afirmou que a Colômbia precisava de “um tigre” na presidência. Espriella se apropria da imagem do felino, seguindo exemplos como Javier Milei, da Argentina, com o leão, e Donald Trump, dos EUA, com a águia-careca.
Sua campanha é marcada por gestos de forte teor militarista. Ao final de cada intervenção, Espriella realiza a saudação militar, gritando “Firme pela pátria!”. Seus apoiadores foram incentivados a adotar a continência como forma de cumprimento. Atos públicos frequentemente contam com a presença de militares reformados em trajes camuflados, que se postam em formação durante o hino nacional. O candidato promete que, se eleito, sua posse ocorrerá em um batalhão, ressaltando o trabalho das forças armadas.
Iván Cepeda e a Conquista dos “K-popers”
Em contrapartida, Iván Cepeda, um filósofo e defensor dos direitos humanos, apostou em uma estratégia de campanha que surpreendeu muitos especialistas pela sua sobriedade, chegando a ser considerada tediosa por alguns. Sua aposta para dinamizar a campanha e conquistar o voto jovem veio do outro lado do mundo, com o fenômeno sul-coreano do K-pop.
Cepeda adotou como gesto simbólico o “coração coreano”, formado com a ponta do indicador e o polegar. Jovens fãs de K-pop, a geração Z, organizaram-se para apoiar o candidato, produzindo danças, cartazes e vídeos com músicas de grupos como o BTS. Esses encontros, especialmente em Bogotá, demonstraram a força mobilizadora dos “k-popers” em favor das propostas do senador de 63 anos.
A Camisa Amarela da Seleção: Símbolo Nacional em Disputa
A camisa amarela da seleção colombiana de futebol se tornou um dos símbolos mais disputados da campanha. Abelardo de la Espriella e seus apoiadores a utilizaram amplamente, gerando acusações de apropriação por parte da esquerda. Muitos eleitores de Espriella vestiram a camisa com os nomes de craques como James Rodríguez e Luis Díaz no primeiro turno, em uma estratégia que remete ao uso da camisa da seleção brasileira por apoiadores de Jair Bolsonaro.
Em uma tentativa de despolitizar o símbolo, o atual presidente Gustavo Petro e alguns de seus ministros também vestiram a camisa amarela. A disputa chegou aos tribunais, com uma juíza chegando a proibir Espriella de usar a camisa como símbolo de campanha. No entanto, a Suprema Corte suspendeu essa decisão posteriormente, permitindo que o uso continue, mesmo que controverso.
