Trump Acusa Dirigentes do Fed de Quererem “Ver o País Ir Mal” em Meio a Juros Altos e Inflação Persistente

BRASIL

Donald Trump critica o Federal Reserve por juros altos, alegando que dirigentes desejam o fracasso econômico do país. A tensão surge em um cenário de custos de financiamento imobiliário em alta e inflação que desafia a meta do banco central.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou publicamente sua insatisfação com a condução da política monetária pelo Federal Reserve (Fed). Ele acusou membros do banco central americano de terem a intenção de prejudicar o país, especialmente em relação às taxas de juros elevadas.

A declaração de Trump veio após questionamentos sobre o aumento no custo do financiamento imobiliário. As taxas de hipotecas atingiram seu nível mais alto em quase três anos, impactando diretamente o bolso dos americanos e o mercado imobiliário.

Trump, que já criticou o ex-presidente do Fed, Jerome Powell, chamando-o de “mula” e “cabeça oca”, direcionou suas críticas a outros membros do conselho. Ele acredita que os juros deveriam estar mais baixos para impulsionar a economia. A declaração foi divulgada após questionamento sobre o custo do financiamento imobiliário, conforme informação divulgada pelo The Wall Street Journal.

Fed eleva juros pela primeira vez em mais de três anos em meio a preocupações com inflação

No mês passado, o Federal Reserve decidiu aumentar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, estabelecendo-a na faixa de 3,75% a 4% ao ano. Esta foi a primeira elevação desde julho de 2023, interrompendo um período de cinco reuniões consecutivas com juros inalterados.

A decisão foi influenciada, em parte, pela forte alta no preço do petróleo, decorrente do aumento das tensões no Oriente Médio. Isso intensificou as preocupações do Fed em relação ao controle da inflação, que permanece um desafio significativo.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) reconheceu que a atividade econômica dos EUA continuou a se expandir em um ritmo sólido. No entanto, a incerteza elevada, agravada por “acontecimentos geopolíticos”, manteve o banco central em alerta.

Inflação persistente e projeções futuras: A visão do Fed

O presidente do Fed, Kevin Warsh, destacou que a inflação nos Estados Unidos não apresentou melhora significativa. “O fato é que a inflação está alta demais e está assim há tempo demais”, afirmou Warsh.

O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) em agosto registrou uma alta de 3,4% nos últimos 12 meses, um patamar consideravelmente acima da meta de 2% estabelecida pelo Fed. Warsh expressou ceticismo quanto à melhora das tendências inflacionárias subjacentes.

A inflação subjacente, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, é um indicador crucial para o Fed. Warsh ressaltou que diversas categorias de preços registraram taxas de inflação superiores a 3% tanto em seis quanto em doze meses, justificando a decisão de aumentar os juros.

Independência do Fed e a resposta às críticas de Trump

Em resposta direta às críticas de Donald Trump, Kevin Warsh defendeu a independência do Federal Reserve. Ao ser questionado sobre os pedidos do presidente por juros mais baixos, Warsh declarou de forma concisa: “Nós cuidamos da nossa área. Independência é uma via de mão dupla.”.

Essa resposta sublinha a autonomia do banco central em tomar decisões baseadas em sua análise econômica, sem pressões políticas externas. O Fed busca equilibrar seu duplo mandato de controlar a inflação e promover o máximo emprego.

Novas projeções indicam que a maioria dos membros do Fed espera pelo menos mais uma elevação de 0,25 ponto percentual na taxa de juros em 2026. A decisão de aumentar os juros foi respaldada pela convicção de que o padrão necessário para garantir o retorno da inflação à meta ainda não foi atingido, conforme declarado pelo Fomc.

Secretário do Tesouro atribui inflação a “choque de energia” e prevê queda futura

Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, atribuiu a atual alta da inflação a um “choque de energia”. Ele expressou otimismo de que, após a resolução do conflito com o Irã, o mercado de energia se estabilizará.

Bessent prevê que, com a normalização do mercado de energia, os Estados Unidos caminharão em direção à meta de inflação do Fed. Isso, segundo ele, levará a uma queda nas taxas de hipoteca e nos rendimentos dos títulos do Tesouro de 10 anos, aliviando a pressão sobre o custo do crédito.

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