Unir Investe em Plantas Medicinais para Fortalecer a Imunidade de Peixes em Rondônia
Uma inovadora pesquisa acadêmica conduzida pela Universidade Federal de Rondônia (Unir) está explorando o potencial das plantas medicinais como uma ferramenta para fortalecer o sistema imunológico de peixes criados em cativeiro. O projeto visa oferecer alternativas naturais aos antibióticos, buscando reduzir a incidência de doenças bacterianas na piscicultura, um setor de grande importância econômica para o estado.
A iniciativa, desenvolvida pelo grupo de pesquisa e extensão em Sanidade Aquícola do curso de Medicina Veterinária da Unir, no campus de Rolim de Moura (RO), foca especialmente no tambaqui, um dos peixes nativos mais relevantes da região Norte do Brasil. A abordagem fitoterápica busca uma produção mais sustentável e segura.
O estudo apresentado na 13ª edição da Rondônia Rural Show Internacional destaca a preocupação com a saúde aquática e a segurança alimentar. Conforme informação divulgada pelo g1, a pesquisa busca alternativas naturais que diminuam a dependência de medicamentos químicos, com potenciais impactos ambientais e na saúde do consumidor. A busca por fitoterápicos representa um avanço significativo na piscicultura local.
Rabo-de-gato e Outras Plantas: Aliadas na Saúde dos Peixes
Entre as plantas que estão sendo testadas, a chamada rabo-de-gato tem se mostrado promissora. Ela é triturada e incorporada à ração dos peixes em sistemas de piscicultura fechados dentro da universidade. O objetivo é estimular o sistema imunológico dos animais, conferindo-lhes maior resistência contra bactérias patogênicas sem a necessidade de recorrer a antibióticos convencionais.
Pedro Henrique Caçal da Silva, um dos acadêmicos envolvidos no projeto, explica que o uso de fitoterápicos promove uma “imunomodulação do sistema imune do animal”, ou seja, um estímulo que aumenta a capacidade de defesa do peixe. Essa abordagem natural é vista como uma solução eficaz para prevenir doenças.
Redução do Uso de Antibióticos e Seus Benefícios
A pesquisa também visa diminuir o uso de antibióticos na produção de peixes, uma prática que pode gerar preocupações. Segundo os pesquisadores, a escassez de medicamentos específicos para peixes no Brasil e o risco de desenvolvimento de resistência bacteriana em humanos a partir do consumo de peixes tratados com antibióticos são fatores que impulsionam a busca por alternativas.
“São antibióticos que se alojam na musculatura do peixe e quando esse peixe é consumido, podem trazer essa resistência antibiótica até a gente”, alerta Pedro. A alternativa natural com plantas medicinais como a rabo-de-gato, picão-preto e outros extratos naturais surge como uma solução mais segura para a saúde pública.
Demanda do Setor Produtivo e Potencial da Pesquisa
O professor Wilson Gomes Manrique, orientador do projeto, relata que o estudo nasceu de uma demanda direta do setor produtivo de Rondônia, um estado com forte tradição na criação de peixes nativos. A dificuldade em encontrar medicamentos adequados para peixes torna a prevenção, através do fortalecimento imunológico, uma estratégia ainda mais crucial.
O grupo de pesquisa da Unir está focado em explorar o potencial imunológico das plantas para otimizar a saúde dos peixes. Essa investigação contribui não apenas para a piscicultura, mas também se alinha com outras pesquisas da Unir apresentadas na Rondônia Rural Show, como o aproveitamento de resíduos naturais na alimentação animal e o manejo de pastagens, demonstrando o compromisso da universidade com o desenvolvimento sustentável do agronegócio em Rondônia.
