Venezuela: Desespero cresce com demora nos resgates de vítimas de terremotos, ‘nem uma pedra foi removida’

BRASIL

Frustração e indignação tomam conta da Venezuela após terremotos devastadores, com famílias denunciando lentidão nos resgates.

A esperança de encontrar sobreviventes sob os escombros dos terremotos que assolaram a Venezuela esvai-se a cada hora que passa. Com mais de 1.450 mortos e 3.150 feridos, o tempo crítico de 72 horas para o resgate de vítimas vivas já se esgotou, intensificando o desespero de centenas de famílias.

Parentes de vítimas relatam cenas de angústia, onde muitos se arriscam a remover corpos em decomposição com as próprias mãos, sem equipamentos de proteção. A falta de maquinário pesado e de equipes especializadas de resgate nas áreas mais afetadas, como La Guaira e Caracas, alimenta um sentimento crescente de frustração e revolta entre a população.

Conforme informações divulgadas pela BBC, a resposta das autoridades é considerada insuficiente por muitos venezuelanos, que clamam por maior presença do Estado. A presidente em exercício, Delcy Rodríguez, assegura que os esforços estão sendo feitos “sem descanso” e que o resgate de vivos é a prioridade máxima. No entanto, relatos no terreno pintam um quadro desolador, com a falta de ação governamental visível em muitos locais.

O Grito por Ajuda em Meio aos Escombros

Em La Guaira, o caso de Carlos Eduardo, de 31 anos, é emblemático do desespero. Seus familiares sabem de sua localização sob os destroços, mas carecem dos meios para realizar o resgate. A situação se repete em Caraballeda, onde Mileidy Romero testemunha a agonia de corpos, incluindo de recém-nascidos, aguardando remoção desde a noite anterior.

Um bombeiro que atua na região, e que pediu anonimato, revelou ao enviado especial da BBC que “há edifícios onde não foi removida sequer uma única pedra”. Essa lentidão nas operações de resgate tem gerado protestos, com moradores vaiando a presidente Rodríguez durante visitas às áreas afetadas, acusando o governo de “fazer campanha em meio a uma tragédia” e de “não fazer nada pelas pessoas”.

Desafio e Vulnerabilidade da Infraestrutura Venezolana

Embora a magnitude da tragédia represente um desafio colossal para qualquer nação, a resposta do governo venezuelano tem sido criticada como hesitante e lenta. Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, declarou que o país vive “horas críticas” para salvar vidas, informando que 774 edifícios foram danificados ou desabaram, afetando 12.721 pessoas. Ele classificou os terremotos como “a mais brutal catástrofe natural que nosso país sofreu em sua história”.

O governo anunciou o envio de 14 mil militares e o estado de emergência para facilitar a mobilização de recursos. Segundo Delcy Rodríguez, 33 pessoas foram resgatadas com vida no sábado, e 21 delegações internacionais com mais de 2.200 socorristas e 96 equipes de cães farejadores foram mobilizadas. Apesar disso, o número de mortos e feridos continua a aumentar, com a ONU estimando cerca de 50 mil desaparecidos.

Esperança Diminui, Mas Não se Extingue

Especialistas em desastres humanitários alertam que, após as 72 horas críticas, as chances de encontrar sobreviventes diminuem consideravelmente, principalmente devido à falta de acesso à água e atendimento médico. No entanto, a esperança ainda reside em alguns casos, como o de Steven Salazar Vásquez, um paramédico experiente que acredita na possibilidade de encontrar sobreviventes em “triângulos da vida” formados em edifícios parcialmente desabados.

A crise política e econômica que assola a Venezuela nos últimos anos é apontada como um fator que contribui para a vulnerabilidade de sua infraestrutura e para a capacidade de resposta diante de desastres. As instalações médicas improvisadas e os centros de saúde sobrecarregados refletem a difícil realidade enfrentada pelo país, mesmo antes da catástrofe.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *