Xi Jinping ausente da ONU em visita aos EUA: um recado estratégico de Pequim?
O presidente chinês, Xi Jinping, optou por não discursar na Assembleia Geral da ONU, mesmo estando nos Estados Unidos. Em vez disso, enviou o vice-presidente, Han Zheng, para representar a China no principal fórum diplomático mundial. A decisão coincide com a visita de Estado de Xi aos EUA e reuniões bilaterais com o presidente americano, Donald Trump, em Washington.
Essa ausência premeditada da tribuna da ONU, segundo especialistas, reflete a visão de Xi Jinping sobre as Nações Unidas e as instituições ocidentais. A prioridade dada ao encontro com Trump sugere uma estratégia diplomática clara, focada em relações bilaterais de alto nível, em detrimento de participações em organismos multilaterais tradicionais.
A análise da situação, conforme divulgada pelo g1, aponta que a escolha de Han Zheng para falar na ONU, em vez do próprio Xi, não é um sinal de desdém pela organização, mas sim uma demonstração da importância atribuída à visita aos Estados Unidos. A China tem se posicionado favoravelmente a organismos multilaterais, mas sua estratégia parece priorizar espaços onde possui maior influência ou convergência ideológica.
A recepção de Trump a Xi: um encontro fora do comum
A visita de Xi Jinping aos Estados Unidos foi marcada por uma recepção que fugiu ao protocolo usual. Conforme relatado pelo professor de relações internacionais Maurício Santoro, da UERJ, Donald Trump recebeu Xi Jinping com honras de Estado, incluindo a presença na porta do avião e o tradicional tapete vermelho. Santoro descreve a recepção como se fosse para o papa, ressaltando a admiração de Trump por líderes fortes.
No entanto, essa demonstração de prestígio por parte do governo americano não encontrou uma reciprocidade na agenda de Xi Jinping na ONU. O líder chinês tem um histórico de participação limitada na Assembleia Geral, tendo discursado apenas uma vez desde que assumiu a presidência em 2013. Sua agenda diplomática é intensa, mas focada em outros fóruns.
Outros compromissos de Xi Jinping contrastam com a ausência na ONU
A agenda recente de Xi Jinping demonstra sua ativa participação em outros eventos internacionais de relevância. Nos últimos meses, ele discursou na 18ª Cúpula dos BRICS em Nova Delhi, na Índia, e na 26ª reunião do Conselho de Chefes de Estado da Organização para Cooperação de Xangai (OCX), no Quirguistão. Além disso, participou da Conferência Mundial de Inteligência Artificial em Xangai.
Essa frequência em outros encontros multilaterais, muitos deles organizados ou com forte influência chinesa, reforça a ideia de que a ausência na ONU é uma escolha estratégica, e não uma falta de compromisso com o multilateralismo. A prioridade parece ser dada a arenas onde a China sente que pode exercer maior influência ou onde há maior alinhamento político.
O significado da ausência de Xi Jinping na Assembleia Geral da ONU
Especialistas ouvidos pelo g1 interpretam a decisão de Xi Jinping como um reflexo de sua visão sobre as Nações Unidas e as organizações ocidentais. A preferência por encontros bilaterais de alto impacto, como o com Donald Trump, e a participação em fóruns com maior afinidade ideológica, como os blocos criados pela própria China, sinalizam uma recalibração nas prioridades diplomáticas de Pequim.
Larissa Wachholz, outra especialista consultada, aponta que a ausência de Xi Jinping na ONU não deve ser vista como um ataque ao multilateralismo. Pelo contrário, a decisão pode ser interpretada como uma forma de dar ênfase e destaque à importante visita de Estado à China nos Estados Unidos, evitando desviar o foco principal do encontro bilateral com o presidente americano.
