Voo da Tragédia: 146 Deportados pelos EUA Sobrevivem a Terremoto na Venezuela, Mas Hotel Desaba

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Voo da Tragédia: 146 Deportados pelos EUA Sobrevivem a Terremoto na Venezuela, Mas Hotel Desaba

Um voo que trazia 146 migrantes venezuelanos deportados pelos Estados Unidos para seu país de origem se tornou palco de uma tragédia inimaginável. Horas após o pouso, o hotel onde os recém-chegados foram alojados desabou em decorrência de um duplo terremoto que abalou a Venezuela, deixando um rastro de destruição e incertezas.

O programa Missão Volta à Pátria, do governo venezuelano, recebeu os deportados no aeroporto. De lá, foram encaminhados para o Hotel Santuário La Llanada, em La Guaira, a cidade mais afetada pelos sismos. O edifício, que servia para procedimentos administrativos e de saúde, cedeu sob a força dos tremores.

As histórias de sobrevivência emergem em meio ao caos. Orlando Torres, por exemplo, deve sua vida a uma ligação telefônica não atendida. Um atraso de poucos minutos em um trâmite burocrático o manteve fora do prédio principal no momento do desabamento. Conforme relatos à BBC News Mundo, o voo 164, um dos voos semanais de deportação sob o governo Trump, trouxe de volta milhares de venezuelanos fugindo da crise em seu país.

Sobrevivência por um Fio: A Ligação Não Atendida que Salvou Vidas

Orlando Torres era um dos últimos a desembarcar e chegar ao hotel. Ele precisava realizar um último trâmite: falar com seu irmão por telefone. O irmão não atendeu, atrasando o procedimento de Torres em minutos cruciais. Esse pequeno atraso o impediu de estar no edifício principal, que desabou, enquanto ele se encontrava em um anexo.

O duplo terremoto, que causou mais de 2 mil mortos e dezenas de milhares de feridos e desaparecidos, transformou a esperança de um recomeço em um pesadelo. O Hotel Santuário La Llanada, que deveria ser um refúgio, tornou-se uma armadilha mortal para muitos dos repatriados.

A Missão Volta à Pátria havia anunciado a chegada do voo 164 com 120 homens, 19 mulheres, 5 meninos e 2 meninas, todos “prontos para começar uma nova etapa em sua pátria amada”. No entanto, a realidade que se seguiu foi devastadora.

O Caos do Resgate e a Busca por Respostas

Relatos de sobreviventes descrevem momentos de puro terror e a luta pela própria vida. Pedro, um dos repatriados, conta como ficou preso sob escombros, ouvindo os lamentos de crianças. A ajuda, segundo ele e outros, demorou a chegar, e muitos precisaram se socorrer mutuamente.

Ninoska Gutiérrez relata ter ficado com as pernas presas sob o teto que desabou. “Eu estava em estado de choque”, disse ela, expressando a incredulidade de retornar ao país apenas para enfrentar uma nova tragédia. A solidariedade entre os deportados foi fundamental para a sobrevivência de muitos, que se ajudaram a sair dos escombros.

As autoridades venezuelanas não divulgaram um balanço oficial sobre o ocorrido com os passageiros do voo 164. O Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos confirmou que o voo chegou à Venezuela e que todos os estrangeiros ilegais a bordo foram devolvidos ao seu país, sem detalhar o que aconteceu depois.

Desespero de Familiares e Exigência de Justiça

Familiares dos deportados iniciaram uma busca desesperada por seus entes queridos assim que souberam do terremoto. Nas redes sociais, grupos foram formados para trocar informações e tentar localizar os desaparecidos. José Rincón procurava seu neto Abelardo Rincón, de 23 anos, tendo visitado mais de 200 corpos em necrotérios sem sucesso.

O acesso ao hotel foi dificultado pelas autoridades, aumentando a angústia dos familiares. “Estou aqui há dias e o problema é que não nos deixam passar”, desabafou Rincón, exigindo ver os escombros para ter alguma certeza. Paola Chacón, prima de Darwin Eliécer Serrano López, também de 35 anos, expressou a dor de querer apenas entregar o corpo do familiar para um enterro digno.

A história do voo 164 é marcada pela perda e pela busca por respostas, evidenciando a vulnerabilidade de migrantes deportados e a necessidade de apoio em momentos de crise. A revolta e a exigência de justiça ecoam nas redes sociais, onde familiares clamam por responsabilidade pela morte de seus entes queridos, que buscavam um futuro melhor e encontraram a tragédia ao retornar para casa.

Solidariedade em Meio à Destruição

Apesar da falta de assistência inicial das autoridades, a solidariedade entre os deportados foi um ponto de luz em meio à escuridão. Apelidados uns pelos outros com nomes como “el gocho”, “el llanero” ou “Superman”, eles se uniram em um esforço conjunto de sobrevivência.

Um dos relatos menciona um homem que, após supostamente saltar de uma janela, ajudou a resgatar outros e conseguiu uma moto para buscar ajuda. Essa força e resiliência destacam a capacidade humana de se ajudar em situações extremas, mesmo sem conhecerem uns aos outros.

A história desses 146 venezuelanos deportados é um lembrete trágico das complexidades da migração e das consequências inesperadas que podem surgir. A esperança de um novo começo se chocou com a força da natureza e a dura realidade de um país em crise.

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