Ideb 2025: Brasil avança lentamente na educação, com ensino médio longe das metas

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Ideb 2025: Brasil avança lentamente na educação, com ensino médio longe das metas

O Brasil apresentou avanços em todas as etapas de ensino avaliadas pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em 2025. Contudo, o país ainda não alcançou as metas estabelecidas para os anos finais do ensino fundamental e para o ensino médio, que deveriam ter sido cumpridas já em 2021.

Os dados mais recentes do Ideb, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), mostram que, apesar da ampliação do acesso à escola nas últimas décadas, a melhoria na aprendizagem segue em ritmo lento. Especialistas apontam a aprendizagem como o principal gargalo para a formação de crianças e adolescentes e para a preparação dos jovens para o mercado de trabalho.

O Ideb considera o desempenho dos estudantes em avaliações de Português e Matemática, além do fluxo escolar, que inclui taxas de aprovação e reprovação. As notas variam de 0 a 10. O MEC anunciou que novas metas para o índice serão definidas em outubro, já que as metas de referência continuam sendo as de 2021, sem atualização por parte das gestões anteriores ou da atual.

Anos iniciais do fundamental lideram desempenho

A etapa que concentra o melhor desempenho do país no Ideb são os anos iniciais do ensino fundamental. Em 2025, esta fase registrou um Ideb de 6,3, superando os 6 pontos obtidos em 2023 e atingindo a meta que havia sido fixada para 2021. É a única etapa da educação básica onde os alunos apresentam um nível de aprendizagem considerado adequado em Língua Portuguesa e Matemática.

Em Língua Portuguesa, o desempenho nessa fase passou de 213,9 pontos em 2023 para 219,3 em 2025. Na rede pública, o aumento foi ainda mais expressivo, de 207,6 para 215,1 pontos no mesmo período. Com mais de 200 pontos, os estudantes demonstram habilidades como reconhecer humor em piadas e interpretar linguagens verbal e não verbal.

Já em Matemática, o salto foi de 224,8 para 232,3 pontos entre 2023 e 2025. Na rede pública, o avanço foi de 218,3 para 227,4 pontos. Esse desempenho indica que os estudantes conseguem interpretar horas em relógios e realizar operações de divisão e multiplicação, entre outras competências.

Anos finais do fundamental e ensino médio ainda distantes das metas

Nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), apesar do avanço na nota, o país ainda não alcançou a meta de 5,5 pontos prevista para 2021. O Ideb 2025 registrou 5,3 pontos para esta etapa, um aumento em relação aos 5 pontos de 2023. O desempenho em Português passou de 258,8 para 262,2 pontos e em Matemática, de 258,9 para 264,2 pontos entre 2023 e 2025.

Esses resultados, no entanto, correspondem a um desempenho considerado básico nas duas disciplinas, segundo a escala de proficiência do Todos pela Educação. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, reconheceu os desafios, comparando a situação a “trocar o pneu do carro com o carro em movimento”, mas afirmou que o Brasil avançou mais rápido do que o esperado, mesmo com os impactos da pandemia.

O ensino médio segue como a etapa mais distante da meta de 5,2 pontos estabelecida para 2021. Em 2025, a nota foi de 4,5, um ligeiro aumento em relação aos 4,3 de 2023. Em Língua Portuguesa, o avanço foi de 275,7 para 279 pontos, e em Matemática, de 271,9 para 276,5 pontos. O governo tem focado em políticas para essa etapa, como a ampliação do tempo integral e o programa Pé-de-Meia, mas seus efeitos ainda não foram totalmente captados pelo Ideb.

Escolas privadas apresentam desempenho misto

O cenário nas escolas privadas mostra um retrocesso nos anos iniciais do ensino fundamental, com o Ideb caindo de 7,2 em 2023 para 7,1 em 2025. Nos anos finais do fundamental, houve um leve aumento, de 6,3 para 6,4, retornando ao índice de 2019.

No ensino médio, a rede privada registrou um aumento de 5,6 para 5,8 pontos entre 2023 e 2025. Apesar da melhora, a nota ainda não atingiu o patamar pré-pandemia de 6 pontos em 2019. O ministro Barchini destacou exemplos de sucesso em estados de diferentes espectros políticos, como Goiás, Paraná, Ceará e Piauí, e afirmou que as novas metas para o Ideb serão ousadas, visando superar os desafios de fluxo e acesso.

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