El Niño ‘Muito Forte’ Ameaça o Brasil com Secas, Calor e Inundações Catastróficas até 2027
O Brasil se prepara para um período de intensos desafios climáticos. Projeções de sete órgãos federais indicam que o fenômeno El Niño tem 81% de chance de atingir uma intensidade muito forte entre outubro e dezembro deste ano. Esse cenário eleva significativamente o risco de desastres naturais, como inundações, secas severas, ondas de calor extremo e incêndios florestais em diversas regiões do país.
As previsões apontam que o El Niño deverá permanecer ativo pelo menos até o início de 2027, com potencial para causar anomalias de temperatura superiores a 2°C nas águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. A combinação de chuvas acima da média no Sul e abaixo da média no centro-norte, juntamente com temperaturas acima do normal em quase todo o território, cria um ambiente propício para eventos climáticos extremos.
Este alerta conjunto, resultado da colaboração do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM), visa orientar estados e municípios na revisão de seus planos de contingência e no reforço das ações de prevenção e resposta a desastres.
Risco Elevado de Inundações no Sul e Agravamento da Seca no Nordeste
A região Sul do Brasil enfrenta um risco acentuado de grandes inundações. Diferentemente do cenário de 2023, a região não apresenta um déficit hídrico significativo a ser reposto, o que aumenta a probabilidade de cheias diante de novos períodos de chuva intensa. Estados como Santa Catarina e Rio Grande do Sul já apresentam projeções de vazões entre a média e acima da média, elevando o perigo de inundações.
Enquanto isso, o Nordeste inicia o fenômeno em uma situação mais desfavorável do que no ano anterior. Em junho, a seca moderada já alcançava cerca de 40% da região, ante 10% no mesmo mês de 2023. Essa condição mais crítica pode impactar o abastecimento de água, a agricultura e a pecuária na área.
Seca Severa se Expande e Ameaça o Centro-Oeste e o Sudeste
O número de municípios em situação de seca severa no país aumentou de 38 para 55, considerando o trimestre de maio a julho. Embora a situação ainda seja menos grave do que no início do El Niño de 2023, quando 239 municípios enfrentavam seca severa, a tendência de piora é preocupante. A bacia do rio Paraguai, no Centro-Oeste, já apresenta a situação hidrológica mais crítica, com condições de seca severa a extrema agravadas por décadas de déficits hídricos.
No Sudeste, 76% da região estava sob algum nível de seca em junho, um percentual superior ao registrado em 2023. A previsão é de que o quadro possa se agravar rapidamente caso a próxima estação chuvosa atrase ou apresente volumes insuficientes de chuva, aumentando a demanda por irrigação e prejudicando pastagens.
Aumento do Risco de Incêndios Florestais e Impactos na Agricultura
O risco de fogo deve aumentar consideravelmente no Centro-Oeste e na Região Norte entre agosto e outubro. Estados como Mato Grosso, Tocantins, Pará e Maranhão estão entre os que apresentam perspectiva de queimadas intensas, com áreas de alerta alto se expandindo sobre o Mato Grosso e grande parte da região amazônica. A combinação de tempo seco e altas temperaturas favorece a propagação das chamas.
Na agricultura, o tempo seco pode ser benéfico para a colheita de culturas como milho e algodão no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Contudo, a falta de chuva e o calor excessivo podem elevar a necessidade de irrigação, prejudicar pastagens e dificultar a preparação para a próxima safra. No Sul, enquanto a maior disponibilidade de água pode beneficiar culturas de inverno e o plantio de milho e soja, chuvas persistentes podem aumentar o risco de doenças fúngicas e atrasos na colheita.
Recomendações e Orientações para a População
Diante do cenário de risco, estados e municípios foram orientados a revisar seus planos de contingência e reforçar o monitoramento e a comunicação de riscos. A prioridade é dada às áreas e populações mais vulneráveis. A Defesa Civil recomenda que a população acompanhe os alertas oficiais, conheça os locais seguros e as rotas de fuga em suas regiões, além de manter o cadastro atualizado para receber avisos sobre eventos extremos.
