Novo depoimento em julgamento detalha os últimos dias de Diego Maradona, revelando quadro de incontinência urinária, abstinência alcoólica e comportamento agressivo.
Aníbal Domínguez, que conviveu com Diego Maradona nas semanas que antecederam sua morte em novembro de 2020, prestou um depoimento contundente em uma audiência judicial. A declaração joga luz sobre o estado de saúde física e mental do craque argentino após a cirurgia cerebral, pintando um quadro preocupante de sua rotina.
Segundo Domínguez, Maradona apresentava dificuldades significativas, comia pouco e sofria de incontinência urinária, chegando a fazer as necessidades nas próprias roupas por não conseguir se dirigir ao banheiro. O cuidador também relatou episódios de abstinência alcoólica e um humor instável, marcado por agressividade.
As informações foram divulgadas durante o julgamento que busca apurar a responsabilidade da equipe médica que acompanhava Maradona durante sua recuperação em casa. O depoimento de Domínguez, que trabalhou com o ex-jogador desde 2015, traz detalhes cruciais sobre o ambiente e as condições em que o ídolo vivia nos seus últimos dias. A declaração foi feita em San Isidro, na Argentina, e contou com a presença de familiares de Maradona.
Comportamento agressivo e dificuldades físicas marcavam os dias de Maradona
Aníbal Domínguez descreveu um Diego Maradona de **mau humor e agressivo**, que tratava mal todos ao redor. “Diego estava com mau humor, tratava todo mundo mal”, afirmou o cuidador. Ele também mencionou a dificuldade em **convencer o craque a se levantar da cama**, tomar banho ou comer, evidenciando um quadro de profunda prostração. A **incontinência urinária** foi um dos pontos mais delicados relatados, com Maradona tendo “dificuldade para urinar” e “retenção de líquidos, ficando inchado”.
Sintomas de abstinência e pedidos de socorro não atendidos
O cuidador relatou que Maradona apresentava sintomas de **abstinência alcoólica**, com tremores e um estado de “perdido”. Em conversas com o médico pessoal de Maradona, Leopoldo Luque, principal réu no caso, Domínguez expressou preocupação. “Ele tinha que vir e não vinha”, disse o cuidador, referindo-se à falta de acompanhamento médico mais próximo. Gravações de áudio reproduzidas na audiência confirmaram os alertas feitos por Domínguez a Luque sobre o estado de Maradona.
A dinâmica complexa com o “chefe” Maradona
Domínguez explicou a dinâmica de convivência com o ídolo, destacando que era **impossível confrontar Maradona**, pois qualquer negativa poderia gerar uma explosão. “Não se podia entrar em conflito com Diego e dizer ‘não’ a ele, porque era pior, ele explodia (…) Diego era o chefe”, pontuou o cuidador. Essa dinâmica evidenciava a dificuldade em impor limites e garantir o cumprimento de cuidados médicos essenciais.
Julgamento busca definir responsabilidades pela morte do craque
O julgamento em San Isidro envolve outros seis profissionais de saúde, acusados de **homicídio com dolo eventual**. A acusação sugere que eles estavam cientes de que suas ações ou omissões poderiam levar à morte de Maradona. Todos os réus **alegam inocência**, e o depoimento de Aníbal Domínguez adiciona mais um elemento ao complexo caso que busca esclarecer as circunstâncias da morte do astro argentino, ocorrida em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, em decorrência de parada cardiorrespiratória e edema pulmonar.
