Senado dos EUA aprova Daniel Perez como embaixador no Brasil, mas agrément do Itamaraty ainda é crucial e gera tensões diplomáticas

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Senado dos EUA aprova Daniel Perez como embaixador no Brasil, mas tensões persistem

O Senado dos Estados Unidos deu um passo importante na nomeação de Daniel Perez como o novo embaixador dos EUA no Brasil. A aprovação ocorreu em uma votação apertada, com 51 votos a favor e 47 contrários, marcando o fim de um processo interno americano.

No entanto, a jornada para Perez assumir o posto ainda não está completa. A decisão final sobre sua instalação em Brasília está nas mãos do Itamaraty, que precisa conceder o agrément, a autorização formal para que um embaixador estrangeiro exerça suas funções.

A indicação de Perez, feita pelo então presidente Donald Trump em junho, ocorre em um momento de relações bilaterais marcadas por divergências e trocas de acusações, conforme apurado pelo g1.

Impasse na nomeação de Daniel Perez gera escalada diplomática

Desde o anúncio da escolha de Daniel Perez, o governo brasileiro e o americano demonstraram visões distintas sobre o processo de nomeação. O Itamaraty expressou descontentamento com a divulgação antecipada do nome de Perez pela Casa Branca, antes da conclusão das consultas diplomáticas reservadas, um procedimento padrão entre países.

A tensão se intensificou com as cobranças americanas pela concessão rápida do agrément. Washington alegou que o Brasil estaria demorando na análise, enquanto Brasília sustentou que o processo seguia os trâmites diplomáticos habituais.

Revogação de visto e negação de credenciais marcam disputa entre EUA e Brasil

O impasse resultou em uma série de ações que escalaram a relação bilateral. Na terça-feira (4), o Departamento de Estado americano anunciou a **revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington**, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida foi apresentada como uma resposta direta à demora na autorização para a nomeação de Daniel Perez.

Os Estados Unidos indicaram que a decisão sobre o visto de Viotti poderia ser revista caso o Brasil concedesse o agrément para Perez. Essa ação ocorreu apenas 10 dias após o Itamaraty negar vistos a dois diplomatas do Departamento de Estado, apontados pelo jornal The Washington Post como parte de uma estratégia para questionar o sistema eleitoral brasileiro, alegação negada pelos EUA.

Governo brasileiro reage a ações americanas e classifica como hostis

O Planalto e o Itamaraty reagiram prontamente às medidas americanas, classificando-as como parte de uma **escalada de ações hostis** por parte dos Estados Unidos. Integrantes da diplomacia brasileira refutaram a justificativa apresentada por Washington e criticaram o uso da questão envolvendo Daniel Perez como ferramenta de pressão sobre o governo brasileiro.

Apesar da aprovação do Senado americano, Daniel Perez precisa agora do sinal verde do governo brasileiro. A concessão do agrément pelo Itamaraty é o **passo final e indispensável** para que ele possa, de fato, assumir a embaixada dos Estados Unidos em Brasília e iniciar suas funções.

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