Genro de Trump negocia cessar-fogo em Gaza em encontro secreto com líder do Hamas
Jared Kushner, genro do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e ex-negociador da Casa Branca, realizou um encontro incomum com o líder do Hamas, Khalil al-Hayya, no Egito. A reunião, ocorrida neste domingo (16), faz parte de um esforço diplomático para tentar destravar um acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza.
O plano em discussão, apoiado pelos EUA, propõe um cessar-fogo, o desarmamento do Hamas e a retirada das tropas israelenses do território palestino. A expectativa é que Kushner se reúna com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, nesta segunda-feira (17) para discutir os detalhes.
As negociações ocorrem em um momento crítico, com a vida de cerca de 2 milhões de pessoas em risco e a necessidade de reconstrução do enclave. A informação foi divulgada pela agência de notícias Associated Press, que obteve detalhes de autoridades que pediram anonimato.
Esforço diplomático com mediação internacional
A reunião no Egito contou com a participação de representantes de países mediadores como Egito, Catar e Turquia, além de um trio de enviados americanos liderado por Kushner. Um encontro similar no ano passado contribuiu para a costura de um cessar-fogo, mas os avanços estagnaram devido ao impasse sobre o desarmamento do Hamas.
O plano de 15 pontos, que visa pacificar a região, prevê que o Hamas entregue suas armas a um comitê tecnocrata palestino. Contudo, o grupo terrorista condiciona a entrega de armamentos mais pesados à criação de um Estado palestino, algo rejeitado pelo atual governo israelense.
O cronograma para o desarmamento seria gradual e simultâneo à retirada das tropas de Israel. No entanto, Benjamin Netanyahu tem afirmado que o recuo israelense só ocorrerá após o desarmamento completo do Hamas, criando um impasse crucial para outros pontos do acordo, como a reconstrução de Gaza e o envio de forças internacionais.
Netanyahu rejeita plano e enfrenta pressão internacional
Na semana passada, Benjamin Netanyahu demonstrou publicamente oposição ao plano de 15 pontos, um movimento incomum contra o governo Trump, principal aliado de Israel. A reunião de Kushner com o líder do Hamas teve como objetivo garantir o compromisso do grupo com o desarmamento antes da conversa com o premiê israelense.
Um integrante do Hamas confirmou o compromisso do grupo com o plano e aguarda o início de um período de 14 dias de negociações para definir um cronograma. No entanto, essa etapa depende da aprovação de todas as partes envolvidas.
O Hamas exige que Israel paralise os ataques e recue suas tropas para a chamada “linha amarela” antes da implementação do acordo. Atualmente, as forças israelenses controlam cerca de 60% de Gaza, e Netanyahu sinalizou planos de aumentar esse controle.
Potências árabes condenam postura de Israel
Antes da reunião com Netanyahu, potências regionais, incluindo Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, emitiram um comunicado conjunto condenando a postura de Israel. O documento acusa o país de “obstruir os esforços para trazer a paz a Gaza” e pede que os EUA tomem “medidas imediatas e concretas” para evitar bloqueios na implementação do acordo.
O partido Likud, de Netanyahu, reagiu às críticas, afirmando que os países vizinhos querem derrubar o governo atual para favorecer candidatos de centro e centro-esquerda. A declaração ressalta o delicado cenário político em Israel, com eleições marcadas para 27 de outubro e a proximidade do aniversário dos ataques de 7 de outubro de 2023.
