Balsa superlotada afunda no Zimbábue, deixando 80 mortos e sobreviventes em estado de choque
O trágico naufrágio de uma balsa superlotada no lago Kariba, Zimbábue, ocorrido em 12 de agosto, teve seu número de vítimas fatais elevado para 80 neste domingo (16). Autoridades confirmaram a descoberta de mais oito corpos, aumentando a dor e a consternação após a embarcação virar em meio a fortes ondas.
A embarcação, que possuía capacidade oficial para 90 pessoas, transportava um total de 114 passageiros adultos, além de cinco tripulantes e um número ainda não especificado de crianças. A Unidade de Proteção Civil do Zimbábue informou que a balsa pertencia à Agência de Desenvolvimento de Infraestruturas Rurais e realizava a rota entre a cidade de Kariba e diversas ilhas e acampamentos de pesca.
Os sobreviventes, resgatados e levados para uma ilha no centro do lago, relataram momentos de puro desespero e o descaso do condutor diante dos riscos iminentes. Conforme informação divulgada pelas autoridades locais, os passageiros haviam tentado alertar sobre as condições perigosas de navegação. A busca pelos desaparecidos continua.
Alertas ignorados e desespero a bordo
Uma das sobreviventes, em depoimento à emissora ZBC, descreveu o pânico a bordo. Segundo ela, os passageiros imploraram ao condutor da balsa que retornasse devido às condições climáticas adversas e às ondas cada vez mais fortes que sacudiam a embarcação. No entanto, o condutor teria se recusado a mudar o curso.
“Seguimos em frente com alguma água no barco, enquanto as ondas ficavam cada vez mais fortes e sacudiam a embarcação. Imploramos que [o condutor] chamasse o capitão, mas ele nos disse que não estávamos na posição de dizer a ele o que tinha que fazer”, relatou a sobrevivente, evidenciando a negligência que pode ter levado à tragédia.
Uma das piores catástrofes no Lago Kariba
O acidente representa uma das piores catástrofes envolvendo embarcações de passageiros no lago Kariba, um imenso lago artificial que se estende pela fronteira entre o Zimbábue e a Zâmbia. A região, localizada a mais de 300 quilômetros a nordeste da capital Harare, é conhecida por suas vastas águas e, por vezes, por condições de navegação desafiadoras.
O lago Kariba é reconhecido como o maior lago artificial do mundo em volume, o que torna a navegação uma atividade comum, mas que exige atenção constante às condições meteorológicas. As autoridades zimbabuanas seguem com as buscas intensivas pelos demais desaparecidos, na esperança de encontrar mais sobreviventes ou vítimas.
Investigações sobre a capacidade e segurança da balsa
As investigações sobre as causas do naufrágio da **balsa superlotada no Zimbábue** já começaram. A polícia e a Defesa Civil apuram as circunstâncias que levaram à sobrecarga da embarcação, que excedeu em mais de 20 pessoas a sua capacidade permitida. A questão da segurança e manutenção da balsa também está sob escrutínio.
A Agência de Desenvolvimento de Infraestruturas Rurais, proprietária da embarcação, deverá prestar esclarecimentos sobre os protocolos de segurança e a fiscalização das viagens. A tragédia levanta sérias preocupações sobre a regulamentação do transporte lacustre no país e a necessidade de medidas mais rigorosas para evitar novas fatalidades em acidentes como este, que chocou o país e o mundo.
