Zelensky: Eleições em Guerra na Ucrânia Causariam ‘Tsunami’ de Divisão e Risco à Segurança Nacional

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Zelensky descarta eleições durante a guerra e alerta para riscos de divisão na Ucrânia

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, declarou neste sábado (22) que a realização de eleições enquanto o país se defende da invasão russa seria extremamente perigosa. Segundo ele, um pleito nesse cenário poderia gerar um “tsunami” de divisão na sociedade ucraniana e comprometer a segurança nacional.

A fala de Zelensky surge como resposta a uma proposta recente de realizar eleições ainda durante o conflito, defendida pelo ex-ministro da Defesa Mykhailo Fedorov. A Ucrânia suspendeu seus pleitos devido à lei marcial, medida que conta com amplo apoio popular para concentrar esforços na guerra contra a Rússia.

O presidente ucraniano comparou a ideia de eleições em tempos de guerra a um desejo de “destruir o país”. A proposta de Fedorov ganhou força após sua demissão em julho, episódio que gerou protestos inéditos desde o início da invasão russa em 2022. Conforme reportagem da AFP, o ex-ministro, conhecido por sua defesa da inovação tecnológica e reformas nas Forças Armadas, surpreendeu ao pedir eleições sem apresentar um plano detalhado de como elas seriam realizadas.

Obstáculos e oposição popular às eleições em tempos de guerra

Especialistas apontam uma série de desafios logísticos e de segurança para a realização de eleições durante o conflito. Entre os obstáculos estão a impossibilidade de voto para soldados na linha de frente, a participação de milhões de refugiados ucranianos no exterior e de moradores em territórios ocupados. Além disso, há o risco de campanhas de desinformação promovidas pela Rússia.

Uma pesquisa do Instituto de Sociologia de Kiev revela que apenas 15% dos ucranianos acreditam que as eleições deveriam ocorrer antes do fim da guerra. Essa estatística reforça a visão de que a prioridade da população está voltada para o esforço de guerra.

Críticas de Zelensky a Fedorov e a importância da unidade nacional

Durante um encontro com jornalistas, Zelensky criticou diretamente Mykhailo Fedorov, afirmando acreditar que ele está “seguindo por conta própria — ou está sendo empurrado — para coisas erradas”. Fedorov, que ganhou popularidade pela modernização das Forças Armadas e pelo uso estratégico de drones, entrou em conflito com o comando militar por sua abordagem considerada menos tradicional.

Após a demissão de Fedorov, parte da opinião pública chegou a pedir a saída do comandante-em-chefe Oleksandr Sirski, que acabou sendo demitido em uma tentativa de conter as manifestações. Zelensky reconheceu o direito da população de protestar, mas pediu cautela contra atitudes “desrespeitosas” para com os militares.

Prioridade é evitar a divisão interna e manter o foco na guerra

O presidente ucraniano enfatizou que seu principal objetivo é evitar qualquer tipo de divisão interna. “A sociedade e os soldados não devem se dividir. Precisamos reconhecer que o risco existe: que possa haver um movimento nessa direção, de situações perigosas”, declarou Zelensky. A unidade nacional e a segurança do país permanecem como prioridades máximas em meio à agressão russa.

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