Parlamento da Armênia palco de caos: deputados se agridem em sessão tensa
O Parlamento da Armênia foi palco de cenas chocantes nesta quinta-feira (29), quando uma sessão plenária se transformou em uma briga generalizada entre deputados do governo e da oposição. O confronto, que começou com acusações de corrupção, escalou para agressões físicas, com troca de socos, chutes e até o arremesso de uma cadeira. A violência interrompeu os trabalhos legislativos e expôs a profunda divisão política no país.
As imagens da confusão foram transmitidas ao vivo, permitindo que a população acompanhasse o desenrolar caótico dos eventos. A sessão foi suspensa por cerca de uma hora, mas os ânimos exaltados continuaram nos corredores do prédio, onde seguranças precisaram intervir para separar os parlamentares. A gravidade da situação levou ao envio de uma ambulância ao local, e alguns deputados foram vistos com ferimentos visíveis e roupas rasgadas.
A tensão teve início durante um discurso do deputado governista Taron Chakhoyan, do partido Contrato Civil. Ele proferiu acusações de corrupção contra membros da oposição, citando especificamente o bloco Armênia Forte e declarações controversas de um parente de seu líder. A partir daí, a discussão verbal rapidamente descambou para a agressão física, marcando um dos episódios mais violentos na história recente do parlamento armênio. As informações foram divulgadas conforme apurado pelo g1.
O estopim da confusão: acusações e declarações polêmicas
O embate teve seu estopim quando Taron Chakhoyan acusou integrantes da oposição de corrupção e criticou declarações feitas por um primo de Narek Karapetyan, líder do bloco Armênia Forte. Em janeiro, Sargis Karapetyan havia feito uma declaração considerada sexista sobre a satisfação sexual feminina caso seu partido chegasse ao poder. Essa declaração, já alvo de críticas, tornou-se um ponto de inflamação na sessão.
Após as acusações de Chakhoyan, Narek Karapetyan respondeu de forma exaltada, dando início a uma discussão acalorada. A troca de insultos rapidamente evoluiu para agressões físicas. Deputados de ambos os lados partiram para os socos e chutes, em uma cena deplorável de desrespeito ao ambiente legislativo e à própria instituição democrática.
Violência se espalha e primeiro-ministro defende a reação
A violência não se limitou ao plenário. Nos corredores do Parlamento, a briga continuou, exigindo a intervenção de seguranças para conter os ânimos. O presidente do Parlamento, Ruben Rubinyan, optou por manter a transmissão ao vivo, argumentando que a população deveria testemunhar o que estava acontecendo. A sessão foi suspensa por aproximadamente uma hora, mas a confusão persistiu.
O vice-presidente da Casa, Vahagn Aleksanyan, do partido governista, chegou a arremessar uma cadeira na direção de parlamentares da oposição, em meio ao lançamento de garrafas e à derrubada de mesas e cadeiras. Uma ambulância foi acionada, evidenciando a gravidade das agressões e a necessidade de atendimento médico para os envolvidos.
Em meio ao caos, o primeiro-ministro Nikol Pashinyan condenou a violência, mas defendeu a reação de seus aliados. Ele afirmou que a atitude dos deputados governistas, fosse com uma cadeira ou de outra forma, foi proporcional. Pashinyan declarou que “estar na oposição não significa que alguém possa se tornar insolente”, sugerindo que a provocação partiu da oposição.
Desculpas e justificativas após a briga
Após a retomada da sessão, o deputado Taron Chakhoyan pediu desculpas à população pelo comportamento, classificando as ações da oposição como vandalismo e alegando que o confronto havia sido planejado. Por outro lado, Narek Karapetyan descreveu o episódio como uma “luta entre homens à moda armena”, tentando minimizar a gravidade das agressões e atribuindo o ocorrido a uma questão de honra masculina.
O presidente do Parlamento, Ruben Rubinyan, atribuiu a Karapetyan a responsabilidade pelo início da briga, alegando que o líder oposicionista teria gritado insultos e tentado agredir Chakhoyan. Rubinyan também mencionou a necessidade de investigar relatos de agressões contra deputados governistas nos corredores, indicando que a dinâmica da violência pode ter sido mais complexa do que inicialmente aparente.
