Estudo no Mediterrâneo associa consumo de sardinha e salmão à menor gordura no fígado
Uma pesquisa com mais de mil adultos na região do Mediterrâneo sugere que incluir sardinha e salmão na dieta pode ajudar a combater o acúmulo de gordura no fígado. O estudo Nutrihep acompanhou 1.297 participantes, utilizando exames como ultrassom e questionários detalhados sobre seus hábitos, com foco especial na alimentação.
Os resultados indicam uma associação entre o maior consumo desses peixes e uma menor quantidade de gordura no fígado. A pesquisa se concentrou em peixes conhecidos por serem ricos em ômega-3, uma gordura com reconhecidas propriedades anti-inflamatórias no organismo, que podem ser cruciais na prevenção e manejo da esteatose hepática.
A esteatose hepática, ou gordura no fígado, ocorre quando o órgão acumula mais de 5% de gordura em seu volume. Essa condição pode levar a um fígado mais pesado, volumoso e menos eficiente, e se não tratada, pode evoluir para inflamações, cicatrizes e até cirrose. Conforme informação divulgada na pesquisa, a prevenção e o tratamento da esteatose hepática dependem de um estilo de vida abrangente, que engloba alimentação, atividade física e controle de peso.
O Papel do Ômega-3 na Proteção Hepática
Peixes como a sardinha e o salmão são particularmente ricos em ácidos graxos ômega-3, como o EPA (ácido eicosapentaenoico) e o DHA (ácido docosahexaenoico). O EPA tem sido associado a benefícios para a saúde das artérias, enquanto o DHA é conhecido por seu papel no desenvolvimento e funcionamento do cérebro. Ambos os componentes do ômega-3 possuem uma importante **ação anti-inflamatória**, que pode ser fundamental no combate às inflamações relacionadas à gordura no fígado.
Estilo de Vida é Chave no Combate à Gordura no Fígado
A obesidade é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da esteatose hepática. O ganho excessivo de peso pode desregular o metabolismo e a produção de hormônios, facilitando o acúmulo de triglicérides nas células do fígado, chamadas hepatócitos. Por isso, a mudança no estilo de vida é apontada como a base do tratamento.
O nutrólogo Celso Cukier, do Einstein Hospital Israelita, reforça que não é possível isolar um único alimento como solução para a esteatose hepática. Ele enfatiza que a **prevenção depende do estilo de vida como um todo**, incluindo uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividade física e o controle do peso corporal, além de outros fatores relacionados à saúde geral.
Recomendações Alimentares e de Hábitos
A adoção de uma dieta rica em peixes, como sardinha e salmão, pode ajudar a **reduzir o consumo de gordura saturada**, cujo excesso está ligado a riscos cardiovasculares e outros problemas de saúde. A recomendação geral inclui o aumento do consumo de peixes e a diminuição de carnes vermelhas.
Além disso, cuidar da **microbiota intestinal** é outra estratégia importante. Alimentos como grãos, frutas, legumes e verduras são benéficos, assim como probióticos como iogurte natural, kefir e kombucha. Evitar carboidratos refinados, encontrados em biscoitos e salgadinhos, e bebidas alcoólicas também faz parte das orientações.
O modelo da **alimentação mediterrânea**, que valoriza peixes, cereais integrais, frutas, hortaliças, sementes, laticínios magros e azeite de oliva, é frequentemente citado como um padrão alimentar protetor.
Atividade Física e Outros Fatores de Risco
A prática regular de **atividade física** é essencial para combater o sedentarismo e promover mudanças metabólicas positivas. Ela contribui para a perda de peso e pode aumentar a produção de substâncias protetoras no organismo. A escolha de modalidades que se adaptem à rotina e promovam a regularidade é fundamental.
Outras causas comuns para a gordura no fígado incluem má alimentação, sedentarismo e consumo excessivo de álcool. O distúrbio também pode estar associado ao uso de certos medicamentos e a doenças metabólicas, como o diabetes. A doença é frequentemente descoberta em exames de rotina, como ultrassonografia abdominal, e na maioria dos casos, não apresenta sintomas claros, embora cansaço e desconforto abdominal possam ocorrer em alguns indivíduos.
