Bloqueio de Ormuz: EUA afirmam que nenhum navio passou, enquanto embarcações chinesas e iranianas recuam sob pressão militar

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EUA impõem bloqueio naval no Estreito de Ormuz e forçam navios a retornar

As Forças Armadas dos Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira (14) que o bloqueio naval instaurado na entrada do Estreito de Ormuz está impedindo a passagem de qualquer embarcação. A operação, iniciada na segunda-feira (13), conta com 12 navios de guerra e dezenas de aeronaves, monitoradas por cerca de 10 mil militares.

A ação americana visa retaliar a resistência do Irã em reabrir o estreito, crucial para o comércio global de petróleo. O presidente Donald Trump declarou que instruiu a Marinha a abordar qualquer embarcação em águas internacionais que tenha pago “pedágio” ao Irã, cortando assim uma importante fonte de receita para o país persa.

O bloqueio, que também abrange o Golfo de Omã e a costa iraniana, já surtiu efeito. Conforme divulgado pelas Forças Armadas dos EUA, seis embarcações comerciais acataram as ordens e retornaram a portos iranianos. Sites de monitoramento naval indicam que pelo menos dois navios chineses estão entre os que deram meia-volta, em uma demonstração da eficácia da pressão militar americana. A China, por sua vez, classificou o bloqueio como “perigoso e irresponsável”.

Navios chineses e ligados ao Irã recuam sob o bloqueio dos EUA

Entre as embarcações que mudaram de rota está o petroleiro chinês Rich Starry. Segundo análises do site MarineTraffic, o navio retornou após entrar no Golfo de Omã, onde os navios de guerra americanos estão posicionados. O Rich Starry, que transportava metanol, e sua proprietária, a empresa chinesa Shanghai Xuanrun Shipping Co Ltd, já são alvos de sanções dos EUA por negociarem com o Irã.

Outros petroleiros com ligações ao Irã, como o Murlikishan e o Elpis, também tiveram suas rotas alteradas ou paralisadas. O Murlikishan entrou no Golfo Pérsico, mas seu destino final ainda era incerto, enquanto o Elpis, após sair de um porto iraniano, permaneceu parado no norte do Golfo de Omã. A estratégia dos EUA busca estrangular financeiramente o Irã, cortando o fluxo de petróleo que representa uma parcela significativa do PIB do país.

China condena a ação e alerta para escalada de tensões

O Ministério das Relações Exteriores da China manifestou forte oposição ao bloqueio naval americano. A pasta classificou a medida como “perigosa e irresponsável”, alertando que tal ação pode agravar ainda mais as tensões na região. A China defende que o bloqueio não contribui para a paz e estabilidade.

A situação no Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, reflete a complexa dinâmica geopolítica na região. A decisão americana de bloquear a passagem, mesmo que temporariamente, visa pressionar o Irã a negociar termos de paz favoráveis aos Estados Unidos, em uma estratégia semelhante à aplicada anteriormente contra a Venezuela.

O impacto do bloqueio no comércio de petróleo e a estratégia americana

O Estreito de Ormuz nunca esteve completamente fechado, permitindo a passagem de petroleiros de parceiros estratégicos do Irã mediante o pagamento de altos valores. Além disso, embarcações iranianas mantinham a principal fonte de receita do país, com exportações diárias de cerca de 1,85 milhão de barris de petróleo, segundo a empresa Kpler.

A intervenção dos EUA, ao impedir a passagem de qualquer navio ligado ao Irã ou que pague “pedágio”, visa justamente inviabilizar essas transações. Analistas sugerem que as declarações de Trump e o bloqueio naval são táticas para forçar o Irã a aceitar um acordo de paz nos termos americanos, buscando uma resolução para o fechamento do estreito.

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