SUS volta a aplicar duas doses de reforço da vacina contra a pólio em crianças de 4 anos a partir de agosto
O Sistema Único de Saúde (SUS) implementará uma importante mudança no esquema de vacinação contra a poliomielite. A partir de agosto, todas as crianças de 4 anos de idade receberão uma dose adicional de reforço da vacina, retornando ao modelo que vigorava até 2024, mas agora com aplicação exclusiva da vacina injetável. Essa medida busca reforçar a imunidade e garantir a proteção contra a doença.
Até o ano passado, o esquema vacinal incluía três doses da vacina injetável (vírus inativado) nas idades iniciais, seguidas por duas doses de reforço com a vacina oral (famosa gotinha, com vírus atenuado). A alteração visa otimizar a proteção e minimizar riscos, conforme explicações técnicas do Ministério da Saúde.
A decisão de adotar exclusivamente a vacina injetável em todas as etapas do esquema vacinal foi tomada após análises técnicas e comunicada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). A mudança, que passa a valer a partir do dia 3 de agosto, alinha o Brasil às recomendações globais e reforça o compromisso com a erradicação da pólio. A informação foi divulgada pelo Ministério da Saúde.
Esquema Vacinal Atualizado
O novo esquema vacinal contra a poliomielite, a ser implementado a partir de 3 de agosto, prevê cinco doses no total, todas administradas por via injetável com a vacina inativada. As doses iniciais de proteção básica serão aplicadas aos 2, 4 e 6 meses de idade. Posteriormente, serão oferecidas duas doses de reforço, aos 15 meses e, agora, aos 4 anos de idade.
Essa atualização garante que a proteção contra a poliomielite permaneça robusta ao longo do tempo. A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBI), Isabela Ballalai, ressalta que os reforços são essenciais, pois a imunidade conferida pela vacina tende a diminuir com o passar dos anos. As doses adicionais asseguram a manutenção de altos níveis de proteção.
Por que o Reforço é Importante
A poliomielite, conhecida popularmente como paralisia infantil, é uma doença grave que pode levar à paralisia e, em casos extremos, à morte. Embora o Brasil não registre casos há 37 anos e tenha sido certificado como área livre de circulação do vírus em 1994, a vigilância e a vacinação contínua são fundamentais. A doença ainda circula em alguns países, e o risco de reintrodução, mesmo que baixo, exige a manutenção de altas coberturas vacinais.
Isabela Ballalai destaca que a vacina é prioritariamente recomendada para crianças menores de 5 anos, pois essa faixa etária apresenta maior risco de desenvolver formas graves da doença após a infecção. No entanto, em situações de surto, a vacinação de adultos também pode ser considerada pelas autoridades de saúde.
Histórico e Vigilância da Pólio no Brasil
O Brasil tem um histórico de sucesso no combate à poliomielite, com o último caso registrado em 1994. Entre 1968 e 1989, o país notificou mais de 26 mil infecções pelo vírus. A erradicação global da doença é um objetivo da Organização Mundial da Saúde (OMS), e a vacinação é a ferramenta mais eficaz para alcançá-lo e mantê-lo.
A retomada das duas doses de reforço com a vacina injetável, conforme o padrão internacional, reforça a estratégia brasileira de vigilância e controle. Crianças menores de 5 anos que não completaram o esquema vacinal recomendado devem procurar um posto de saúde para atualização. A imunização é um ato de proteção individual e coletiva, essencial para manter o Brasil livre da poliomielite.
