Crise Humanitária em Gaza se Agrava: Meio Milhão de Pessoas Deixam de Receber Ajuda Alimentar Essencial por Falta de Fundos
O Programa Mundial de Alimentos (PMA), agência da ONU, divulgou um comunicado alarmante nesta segunda-feira (19), anunciando que será forçado a reduzir drasticamente suas operações humanitárias na Faixa de Gaza. Essa medida drástica impactará diretamente a vida de aproximadamente 500.000 pessoas, que deixarão de receber assistência alimentar mensalmente em um território já devastado pela guerra e em condições humanitárias extremamente difíceis.
A escassez de financiamento é apontada como o principal motivo para essa triste decisão. Shaun Hughes, diretor do PMA nos territórios palestinos, explicou que é preciso tomar medidas para garantir que os recursos disponíveis durem o máximo possível. Ele enfatizou a urgência da situação, destacando que quase 1,4 milhão de pessoas, de um total de 2,1 milhões, ainda enfrentam insegurança alimentar aguda e dependem da ajuda para sobreviver.
A notícia chega em um momento crítico para a população de Gaza, que tem enfrentado dificuldades extremas desde o início da ofensiva israelense em resposta ao ataque do Hamas em outubro de 2023. Apesar de períodos de trégua, a situação humanitária permanece precária. Conforme informação divulgada pelo PMA, a organização não tem acesso humanitário para distribuir os alimentos, mas sim falta de financiamento para adquirir e entregar a ajuda necessária.
PMA Reduz pela Metade Pacotes de Alimentos e Ajuda em Dinheiro
A redução da ajuda humanitária não se limitará apenas ao número de beneficiários. O PMA também anunciou que os pacotes de alimentos distribuídos serão cortados pela metade. As famílias que antes recebiam dois pacotes de alimentos por mês agora terão direito a apenas um. Da mesma forma, o saco de farinha de trigo será menor, impactando diretamente a quantidade de comida disponível para as famílias em Gaza.
As refeitórias comunitárias também sofrerão com a falta de recursos. O número de refeições quentes servidas diariamente cairá de 250.000 para 150.000. Além disso, a ajuda em dinheiro destinada à compra de alimentos, que beneficiava 75.000 famílias, será diminuída. O valor passará de 1.250 para 750 shekels, o equivalente a cerca de 400 para 240 dólares mensais, tornando ainda mais difícil para as famílias garantirem sua subsistência.
Queda no Financiamento Afeta Operações em Gaza e Cisjordânia
O PMA, que se financia por meio de governos e doadores privados, tem enfrentado uma forte queda em seus recursos. Essa diminuição é atribuída a diversos fatores, incluindo a redução drástica das contribuições de alguns governos e a mudança em políticas de ajuda bilateral. A organização estima que precisará de quase 450 milhões de dólares nos próximos seis meses para cobrir suas operações em Gaza e na Cisjordânia, mas em 2026 recebeu apenas metade do financiamento habitual para os territórios palestinos.
A situação já se refletia em outras áreas. Em setembro, o PMA já havia reduzido pela metade o número de beneficiários da ajuda na Cisjordânia, passando de 400.000 para 200.000 pessoas. A falta de recursos compromete a capacidade da organização de atender às necessidades básicas da população em regiões de conflito, agravando ainda mais a crise humanitária.
Contexto da Crise Alimentar em Gaza
Em agosto de 2025, a Classificação Integrada de Segurança Alimentar (IPC) da ONU chegou a declarar situação de fome em Gaza, declaração que foi posteriormente qualificada como “mentira” por Israel. Em dezembro, as Nações Unidas anunciaram que o território já não era considerado em situação de fome, um alívio temporário que se deveu ao cessar-fogo e ao aumento do envio de ajuda humanitária. O PMA, desde então, conseguiu intensificar a assistência, ajudando entre 1,5 e 1,8 milhão de pessoas mensalmente.
No entanto, a atual redução de verbas representa um retrocesso significativo. “Isto tem sido um salva-vidas. Mas agora, em vez de podermos manter e ampliar a ajuda, nos vemos, na realidade, obrigados a reduzi-la”, lamentou Hughes. Ele reforça que “não é o momento de desviar o olhar do que acontece em Gaza”, apelando por mais apoio financeiro para evitar o aprofundamento da crise humanitária.
