Arraial Flor do Maracujá em Porto Velho é marcado por cancelamentos e prejuízos na abertura do evento.
A tão esperada abertura da 42ª edição do Arraial Flor do Maracujá, em Porto Velho, foi abruptamente interrompida na última sexta-feira (18). Quatro apresentações, que incluíam quadrilhas mirim e adulta, além de um boi-bumbá, não puderam acontecer devido a um problema no sistema de energia que afetou a estrutura.
A Secretaria de Estado da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (Sejucel) informou que uma falha técnica comprometeu parte da infraestrutura, impossibilitando a realização dos espetáculos. A situação gerou grande insatisfação entre os participantes das agremiações e o público presente.
Conforme divulgado pelo G1, os artistas e organizadores relataram prejuízos financeiros e transtornos consideráveis. A falta de energia impediu que grupos folclóricos, que investiram tempo e dinheiro na preparação, pudessem se apresentar, gerando um sentimento de desvalorização.
Prejuízos financeiros alarmantes para as agremiações
Myrlla Pinheiro, integrante da agremiação Boi-Bumbá Estrela de Rondônia, expressou sua frustração nas redes sociais, destacando que o cancelamento gerou um “prejuízo para tudo que é lado”. Ela mencionou que muitos espectadores vieram de outras cidades, arcando com custos de transporte para prestigiar o evento e os artistas.
Os gastos das agremiações foram significativos, incluindo alimentação, transporte, confecção de trajes e até passagens aéreas para trazer artistas de outras regiões. Myrlla Pinheiro citou que “nossas indumentárias teve uma que custou quase R$ 15 mil”, evidenciando o alto investimento.
Gastos que chegam a quase R$ 100 mil e dificuldade de recuperação
Michele Umbelino, presidente do Boi-Bumbá Estrela de Rondônia, revelou que os gastos de sua agremiação alcançaram a cifra de “quase R$ 100 mil”. Ela lamentou que o grupo não possui condições financeiras para arcar com novos custos, como a remontagem das indumentárias e a nova contratação de artistas que já haviam retornado para suas cidades de origem.
“Nossa artista de indumentárias, que veio de Manaus, já desmontou todas indumentárias. Para usarmos temos que pagar de novo. Nossa tribo coreografada, que vem de Humaitá, já foi embora. Muito prejuízo”, desabafou Michele Umbelino, ressaltando a complexidade logística e financeira envolvida.
Sejucel busca remarcar apresentações e pede desculpas
Em nota oficial, a Sejucel lamentou profundamente os transtornos causados pela falha técnica no sistema de energia. A secretaria informou que está em diálogo com a União das Agremiações Juninas de Porto Velho (UNAJUP) para tentar “remanejar as apresentações” ao longo da programação do festival.
A Sejucel também pediu “sinceras desculpas” a todos os envolvidos, incluindo grupos folclóricos, artistas, trabalhadores, comerciantes e o público. A pasta garantiu que a programação das próximas noites será mantida, desde que as condições técnicas e operacionais permitam, visando a segurança e o bom funcionamento do evento.
Remarcação pode não suprir os prejuízos
Apesar da promessa de remarcação, Myrlla Pinheiro expressou ceticismo quanto à viabilidade de compensar os prejuízos. Ela questionou “com que dinheiro?” as agremiações poderiam arcar com uma nova apresentação, considerando que os recursos já foram investidos e muitos profissionais já se dispersaram.
A presidente do Boi-Bumbá Estrela de Rondônia também reforçou a inviabilidade de uma nova apresentação. “O pessoal da produção vai embora”, finalizou, indicando a dificuldade em reunir novamente todos os elementos necessários para um espetáculo de qualidade após o cancelamento inicial no Arraial Flor do Maracujá.
