Ataques de Israel no sul do Líbano matam ao menos 11, incluindo crianças, em ofensiva letal; Hezbollah promete retaliação
A recente ofensiva de Israel no sul do Líbano resultou na morte de pelo menos 11 pessoas, um número que eleva a ação entre as mais letais desde o acordo de paz mediado pelos Estados Unidos. Entre as vítimas fatais, a agência estatal de notícias libanesa reportou a morte de três crianças e duas mulheres, intensificando o drama humanitário na região fronteiriça.
As Forças de Defesa de Israel (FDI) afirmaram ter atingido alvos do Hezbollah durante a madrugada, descrevendo a ação como uma resposta a ataques contra seus soldados na área. A resposta do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, foi imediata, declarando que os ataques israelenses seriam “recebidos com o que merecem”, sinalizando uma provável escalada no conflito.
A Agência Nacional de Notícias (NNA), estatal libanesa, detalhou que sete pessoas morreram em um ataque aéreo israelense que atingiu uma casa no vilarejo de Ansar, e outras quatro em um ataque separado em Deir El Zahrani. Os incidentes em Ansar incluíram a morte de três crianças e duas mulheres, elevando o total de feridos para 19. Conforme informação divulgada pelo Ministério da Saúde libanês e reportada pela NNA, esta ofensiva se insere em um contexto de hostilidades que, desde 2 de março, já causaram a morte de ao menos 4,3 mil pessoas no Líbano.
Escalada de violência e acusações mútuas
O gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, comunicou via X que o Hezbollah violou o cessar-fogo e atacou soldados israelenses, resultando em três feridos. Em resposta, as FDI teriam atacado o “quartel-general terrorista do Hezbollah que ordenou o ataque”. O comunicado israelense acrescenta que, posteriormente, as FDI souberam que o Hezbollah havia posicionado civis deliberadamente no complexo militar.
As FDI também informaram a morte de Ali Samir Al-Haj Hassan, descrito como comandante da Força Radwan, unidade de elite do Hezbollah, em um ataque contra o que chamaram de quartel-general da unidade em Ansar. Segundo as forças israelenses, a família de Hassan estava no local e foi atingida, mas não era o alvo pretendido.
Reações e o futuro das negociações
O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, reagiu veementemente nas redes sociais, afirmando que as vítimas civis em Ansar “não são infraestrutura militar” e que “mulheres e crianças mortas nele não são alvos militares”. O presidente libanês, Joseph Aoun, interpretou os ataques como uma “mensagem clara” direcionada às negociações em curso e aos esforços dos Estados Unidos para implementar o acordo de paz.
Nabih Berri, presidente do Parlamento libanês e aliado do Hezbollah, apelou por unidade nacional e cobrou dos patrocinadores das negociações de paz e dos acordos de cessar-fogo que assumam a responsabilidade de interromper a guerra. Por outro lado, Doron Spielman, porta-voz internacional do gabinete do primeiro-ministro israelense, disse à Reuters que os ataques deste sábado “apertarão” as negociações, tornando-as mais sérias e reais, e destacando a razão pela qual as conversas foram iniciadas.
O acordo mediado pelos EUA e a presença militar israelense
O acordo mediado pelos Estados Unidos prevê a permanência das tropas israelenses no sul do Líbano ocupado até o desarmamento do Hezbollah e a assunção do controle da região pelo Exército libanês. O Hezbollah rejeita esses termos, considerando-os uma rendição. Israel ocupou uma faixa do sul do Líbano durante a guerra com o Hezbollah, iniciada após disparos do grupo contra território israelense. O governo israelense justifica a manutenção de suas forças na área como proteção ao norte do país.
Em visita ao sul do Líbano, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, reiterou que o país não se retirará das áreas sob seu controle enquanto o Hezbollah não for desarmado. Um funcionário do Departamento de Estado dos EUA, no entanto, afirmou que uma presença militar israelense permanente na região não está em conformidade com os compromissos previstos no acordo.
