China: De Gigante Compradora a Potencial Rival do Frango Brasileiro no Mercado Global?

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China Aumenta Produção de Frango e Se Posiciona Como Concorrente Global do Brasil

A China, tradicionalmente um dos maiores compradores de carne de frango brasileira, está experimentando um crescimento expressivo em sua produção avícola. Este avanço, impulsionado por uma demanda interna crescente por cortes específicos e um excedente cada vez maior para exportação, levanta questionamentos sobre o futuro do mercado internacional e a posição do Brasil como maior exportador mundial.

Enquanto o Brasil domina o mercado global com suas exportações, a China avança rapidamente, não apenas em volume, mas também em diversificação de produtos para exportação. A capacidade chinesa de atender a nichos de mercado específicos, como o consumo de pés e asas, contrasta com a preferência brasileira por peito, coxa e sobrecoxa, criando um dinamismo interessante no comércio internacional de frango.

Apesar das projeções de concorrência, especialistas apontam que as diferenças culturais e de paladar entre os dois países podem, na verdade, coexistir e até se complementar no mercado global. Essa dualidade entre produção crescente e demanda específica é o que explica, em parte, por que a China continua sendo um destino crucial para o frango brasileiro.

Produção Chinesa em Alta e Excedente para Exportação

No primeiro semestre de 2026, a produção de carne de frango na China registrou um aumento superior a 9%, superando o crescimento do ano anterior, que já havia sido de cerca de 7%, segundo dados do Rabobank. Essa expansão produtiva, combinada com uma menor demanda interna por certos cortes, tem resultado em um excedente significativo disponível para exportação.

A China, que antes focava suas exportações em produtos processados, agora amplia o embarque de carne de frango in natura. Um exemplo notório é o peito de frango, um corte menos popular entre os consumidores chineses, mas que representa a maior parcela das exportações do país. Entre janeiro e maio de 2026, a China exportou 257,1 mil toneladas de peito de frango, um crescimento de 59,6% em relação ao mesmo período de 2025.

No total, a China exportou 546 mil toneladas de carne de frango nos primeiros cinco meses de 2026, um aumento de 51% em relação ao ano anterior, conforme dados do USDA. Em 2025, o país asiático já havia se consolidado como o quinto maior exportador mundial, com pouco mais de 1 milhão de toneladas embarcadas, um volume que, embora expressivo, ainda é mais de cinco vezes menor que as 5,3 milhões de toneladas exportadas pelo Brasil no mesmo período.

Diferenças Culturais Moldam o Mercado de Frango

A persistência da China como um dos principais importadores de frango brasileiro, mesmo com o aumento de sua própria produção, reside nas distintas preferências de consumo entre os dois países. Enquanto no Brasil o peito, a coxa e a sobrecoxa lideram a preferência, na China, cortes como pés e asas de frango são altamente valorizados.

O pé de frango, muitas vezes visto como uma parte menos nobre no Brasil, é um petisco popular na China, encontrado em embalagens individuais, lojas e até máquinas de autoatendimento. Ele também é utilizado em sopas e caldos para conferir uma textura mais gelatinosa, demonstrando a forte influência cultural nos hábitos alimentares.

Essa diferença de paladar, aliada a outras preferências regionais, como a dos japoneses por pernas de frango e a dos africanos por cortes semelhantes, enquanto os europeus preferem peito, cria nichos de mercado que o Brasil consegue suprir. Em 2025, as exportações brasileiras de pés de frango para a China renderam US$ 221 milhões, consolidando o país asiático como o principal comprador desse item.

Brasil Mantém Competitividade Apesar do Avanço Chinês

Especialistas como Chenjun Pan, do Rabobank, apontam que a China pode se tornar uma concorrente relevante para o Brasil, especialmente em mercados como o Oriente Médio, Ásia e África. No entanto, Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), avalia que o avanço chinês não deve impactar significativamente os exportadores brasileiros.

Santin destaca a competitividade do Brasil no comércio global e a projeção da FAO de que dois terços do aumento do consumo mundial de proteínas virão da carne de frango. Essa expansão do mercado global cria espaço para novos participantes e contribui para a segurança alimentar mundial, sem necessariamente prejudicar os líderes estabelecidos.

Ainda assim, a carne de frango chinesa enfrenta barreiras em mercados importantes como a União Europeia, Japão e Coreia do Sul, devido a rigorosos protocolos sanitários e regras específicas para importação de aves, especialmente em relação a surtos de gripe aviária. Esses fatores sanitários e regulatórios podem limitar a capacidade da China de expandir sua presença em todos os mercados globais de forma irrestrita.

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