Brasil apresenta novas medidas aos EUA para evitar tarifaço e defende PIX
O governo brasileiro intensificou as negociações com autoridades dos Estados Unidos em uma tentativa de última hora para evitar a imposição de tarifas adicionais sobre produtos nacionais. Em uma reunião virtual realizada nesta quinta-feira (2), o Brasil apresentou um detalhado “mapa do caminho” com estratégias e ações concretas, buscando demonstrar aos norte-americanos que as práticas brasileiras não oneram nem restringem o comércio bilateral.
A proposta brasileira visa reforçar o “status quo” de ações consideradas “não desleais” pelo país, principalmente em relação ao sistema de pagamentos instantâneos PIX, que o governo brasileiro se mostra irredutível em defender. No entanto, o Brasil se abriu a negociações para ampliar garantias em outras áreas de preocupação para os Estados Unidos, em uma demonstração de flexibilidade para preservar os fluxos comerciais.
A estratégia é vista por integrantes do governo como uma “última cartada” da área técnica para afastar a ameaça de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O objetivo principal é evitar que questões internas do Brasil, como políticas de combate à corrupção ou a estrutura de sistemas de pagamento, sejam usadas como justificativa para sanções comerciais. Conforme informação divulgada pelo governo brasileiro, um novo encontro está previsto até o dia 15 de julho, prazo final para a decisão americana.
PIX é ponto central, mas Brasil cede em outras frentes
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Mário Elias, liderou as conversas do lado brasileiro, enquanto Jamieson Greer representou os Estados Unidos. O governo brasileiro reafirmou sua posição em relação ao PIX, mas demonstrou disposição em discutir e implementar novas medidas em áreas sensíveis para a administração americana. Entre os pontos de atenção estão tarifas preferenciais consideradas desleais, acesso ao mercado de etanol, proteção da propriedade intelectual, combate à corrupção e o desmatamento ilegal.
Proposta de redução de tarifas visa beneficiar EUA
Uma das propostas apresentadas pelo Brasil envolve a redução de tarifas em cerca de 300 produtos em três eixos: maquinário agrícola, equipamentos hospitalares e tecnologia da informação. A sugestão é que essa diminuição seja ampla, não se restringindo apenas aos Estados Unidos, mas com o argumento de que os americanos seriam os principais beneficiados por serem grandes exportadores desses itens. Essa medida visa demonstrar boa-fé e um compromisso com a abertura comercial.
“Atropelos” dificultam, mas negociação não para
O ministro Mário Elias comentou que “alguns atropelos provocados por terceiros têm atrapalhado as negociações”. Apesar disso, ele ressaltou a determinação do presidente Lula em manter a mesa de negociações aberta, independentemente de questões ideológicas. “O presidente Lula esteve com o presidente Trump na Malásia, depois daquele encontro na ONU, depois tivemos seguidos encontros, vários telefonemas, e sempre foram muito positivos”, declarou o ministro, indicando um histórico de diálogo produtivo.
Divergências internas não devem justificar tarifas, defende Brasil
Em um documento assinado pelo chanceler Mauro Vieira, o Brasil argumenta que as críticas americanas ao PIX e as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) são questões de política interna e não deveriam ser atreladas a questões comerciais. A visão do governo é que, se tais assuntos fossem suficientes para justificar sanções comerciais sob a Seção 301, a lei perderia seu limite claro sobre o que pode ser usado para aplicar penalidades, abrindo um precedente perigoso para o comércio internacional.
