Cidadania Italiana dos Bolsonaro: Deputado Italiano Pede Investigação Urgente Após Flávio Usar Passaporte para Fugir para os EUA

BRASIL

Deputado Italiano Questiona Cidadania de Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro e Pede Investigação

O deputado italiano Angelo Bonelli, do partido Europa Verde, iniciou um movimento para apurar as circunstâncias em que os irmãos Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro obtiveram a cidadania italiana. O pedido de explicações foi direcionado aos ministérios das Relações Exteriores e do Interior da Itália, levantando sérias questões sobre a celeridade do processo.

A solicitação de Bonelli ganha força após Flávio Bolsonaro utilizar seu passaporte italiano para deixar a Argentina rumo aos Estados Unidos, pouco depois de ter seu documento brasileiro cancelado. A situação gerou repercussão e intensificou o debate sobre a obtenção de cidadanias por figuras públicas.

As informações foram divulgadas inicialmente pela RFI, que teve acesso ao ofício enviado pelo parlamentar. O pedido de Bonelli visa garantir que a lei seja aplicada de forma igualitária, sem privilégios para “filhos de poderosos” em detrimento de cidadãos comuns que aguardam há anos por seus processos.

Processo Acelerado de Cidadania Gera Suspeitas

Flávio e Eduardo Bolsonaro tiveram sua cidadania italiana reconhecida em 2023, enquanto Carlos a obteve em 2024. Ambos os casos foram baseados no princípio do jus sanguinis, que garante o direito à cidadania por descendência. A família Bolsonaro apresentou como ancestral um bisavô originário do Vêneto, na Itália.

O ponto central da interpelação de Bonelli reside na aparente rapidez com que os processos foram concluídos. Segundo dados que o próprio governo italiano forneceu anteriormente ao deputado, os irmãos teriam solicitado a cidadania na Embaixada da Itália em Brasília apenas nove dias após a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2022.

O prazo legal máximo para a conclusão de um processo de cidadania italiana é de 730 dias. Contudo, a fila de espera para ser convocado no consulado pode se estender por até dez anos, devido ao alto volume de pedidos no Brasil. Bonelli destaca que, quando os processos de Flávio e Eduardo foram finalizados em 2023, ainda havia pessoas inscritas desde 2018 aguardando atendimento.

Suspensão de Convocações e Grande Volume de Pedidos

Entre 2018 e 2022, as convocações para dar andamento aos processos de cidadania italiana no Brasil ficaram suspensas por quase quatro anos. Essa paralisação contribuiu para o acúmulo de pedidos, e em 2018, mais de 112 mil solicitações já aguardavam atendimento.

O deputado italiano pede a abertura de uma investigação administrativa para apurar as datas e etapas dos pedidos dos irmãos Bolsonaro. Ele também solicita dados sobre a fila de espera na época, enfatizando que “a lei deve ser igual para todos: para os pobres coitados que esperam há dez anos e para os filhos dos poderosos”.

Itália como Refúgio e Debate sobre Justiça

A recente viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos com uma autorização temporária de permanência, após ter seu passaporte brasileiro cancelado, reacende a discussão sobre o uso da cidadania italiana por políticos respondendo a processos judiciais no Brasil. O caso de Flávio é citado na interpelação, que menciona investigações por suspeitas de lavagem de dinheiro.

Bonelli também traz à tona o caso da ex-deputada Carla Zambelli, que possui cidadania italiana e foi condenada no Brasil. Ela enfrentou problemas judiciais na Itália, o que, segundo o deputado, “demonstra o risco de a cidadania italiana ser usada para escapar à Justiça do próprio país”.

Outro exemplo citado é o de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Alexandre de Moraes, ministro do STF, que é réu no Brasil e atualmente reside na Itália. Esses casos amplificam o debate sobre a concessão de cidadania a indivíduos que possuem pendências legais em seus países de origem.

Repercussão Internacional da Carta de Flávio Bolsonaro

A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil e a carta que ele publicou, com diferentes versões sobre sua autodefinição, ganharam destaque na imprensa internacional. Veículos como o Corriere della Sera, The Guardian e El País noticiaram o episódio, comentando as declarações do senador e as comparações feitas com líderes históricos.

A imprensa italiana e europeia acompanhou de perto a repercussão da carta, que inicialmente o definiu como “o verdadeiro presidente eleito” e depois foi alterada para “líder do Brasil”. A utilização de um brasão antigo na primeira versão da carta também foi notada, gerando interpretações sobre a postura política do clã Bolsonaro.

O caso da cidadania italiana dos Bolsonaro, somado à saída de Flávio para os EUA, continua a gerar debates na Itália e no Brasil, levantando questões sobre transparência, igualdade perante a lei e o uso de documentos para fins que podem contornar processos judiciais.

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