Sequestro da filha de traficante leva à prisão de chefe do PCC na Bolívia
A captura de Gerson Palermo, apontado como um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC), na Bolívia, foi um desdobramento direto das investigações sobre o sequestro de sua própria filha, Gabrielly Sanches Palermo, de 25 anos. O caso, ocorrido em outubro de 2025, revelou a rede de conexões e disputas financeiras do traficante, culminando em sua localização e prisão em Santa Cruz de la Sierra.
As autoridades de Mato Grosso do Sul foram as primeiras a desvendar o paradeiro de Palermo, graças às informações obtidas durante a apuração do sequestro. A **Polícia Civil do estado** concentrou esforços na libertação de Gabrielly e na identificação dos envolvidos no crime, que visava pressionar a família a pagar uma dívida milionária ligada às atividades de tráfico internacional de drogas de Gerson Palermo.
A colaboração entre as polícias do Brasil e da Bolívia foi crucial para o sucesso da operação. A troca de inteligência entre a Polícia Federal brasileira e a Força Especial de Luta contra o Narcotráfico (FELCN) boliviana permitiu rastrear o traficante, que utilizava a Bolívia como esconderijo. Conforme informações da Polícia Civil, o trabalho de monitoramento durou meses.
O Sequestro que Desvendou o Esconderijo
O sequestro de Gabrielly Palermo ocorreu em outubro de 2025 e foi motivado por uma suposta dívida de Gerson Palermo, que variava entre US$ 100 mil e 200 mil euros. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o valor seria referente a uma quantia que o traficante teria deixado sob a guarda de seu ex-sogro em 2015. A jovem foi mantida em cativeiro em Campo Grande e chegou a ter fotos enviadas à família como forma de pressão.
A rápida ação das delegacias especializadas de Mato Grosso do Sul, como a Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco e Resgate a Assaltos e Sequestros (GARRAS) e a Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), resultou na libertação de Gabrielly e na prisão de um dos sequestradores em flagrante. A vítima relatou ter sofrido agressões durante o cativeiro.
Da Prisão Domiciliar à Fuga e Nova Captura
Gerson Palermo, condenado a quase 126 anos de prisão por crimes como tráfico internacional de drogas e associação criminosa, estava foragido desde abril de 2020. Ele conseguiu autorização para prisão domiciliar durante um plantão judicial no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul e fugiu poucas horas após deixar o presídio de segurança máxima de Campo Grande.
O histórico de Palermo inclui ainda o sequestro de um avião da antiga Vasp em 2000, que resultou no roubo de cerca de R$ 5,5 milhões, e investigações na Operação All In, da Polícia Federal, sobre um esquema de tráfico de cocaína entre Bolívia e Brasil. A captura na Bolívia, em ação conjunta com as autoridades locais, reforça as investigações sobre o uso do país como rota e refúgio para membros do PCC.
Expulsão e Entrega à Justiça Brasileira
David Gómez, comandante da força antidrogas boliviana, informou que Gerson Palermo será expulso da Bolívia e entregue às autoridades brasileiras nos próximos dias. A prisão é vista como um duro golpe contra a organização criminosa e um avanço significativo no combate ao tráfico internacional de drogas.
A Polícia Civil ressaltou que Palermo não possuía processos na Bolívia, mas utilizava o país como seu esconderijo. A colaboração internacional e a inteligência policial foram determinantes para rastrear e capturar o foragido, demonstrando a eficácia das parcerias entre as forças de segurança.
