Secretário de Trump na Itália: Missão de Reaproximação com Papa Leão XIV e Meloni em Meio a Crise Diplomática

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Secretário de Estado dos EUA visita Vaticano e Roma para tentar conter crise diplomática com Papa Leão XIV e Meloni

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, está em uma missão delicada na Itália, com encontros agendados com o Papa Leão XIV no Vaticano e com a primeira-ministra Giorgia Meloni em Roma. A viagem ocorre em um momento de turbulência diplomática, marcada por críticas contundentes de Donald Trump ao líder da Igreja Católica e por um crescente afastamento entre a premiê italiana e a Casa Branca, especialmente após a guerra no Irã.

Rubio busca “reconciliar os laços” e apaziguar os ânimos em um cenário de tensões. As declarações de Trump, que insinuou que o Papa estaria colocando católicos em perigo ao sugerir apoio a um possível arsenal nuclear para o Irã, provocaram uma resposta firme do pontífice.

O Papa Leão XIV, sem citar diretamente Trump, reafirmou a posição da Igreja Católica contra armas nucleares e destacou que a “missão da Igreja é pregar a paz”. Ele enfatizou que qualquer crítica deve ser feita com base na verdade. Conforme divulgado pela fonte, o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, também reforçou que o Papa segue seu caminho, pregando o Evangelho e a paz, independentemente das críticas.

Rubio em Busca de Diálogo e Alinhamento Estratégico

A agenda de Marco Rubio na Itália, que se estende até sexta-feira, inclui também conversas com o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, e com ministros italianos das Relações Exteriores e da Defesa. O objetivo declarado é discutir a situação no Oriente Médio e interesses mútuos no Hemisfério Ocidental, incluindo a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e as bases militares americanas na Itália.

As tensões entre os EUA e Cuba também podem fazer parte das conversas. O Papa Leão XIV já expressou desaprovação às políticas anti-imigração do governo Trump e pediu diálogo entre os dois países. O Vaticano tem um histórico de atuação como mediador, papel que foi crucial no degelo das relações entre EUA e Cuba em 2015, promovido pelo Papa Francisco.

Críticas de Trump e o Impacto nas Relações com a Itália

As declarações de Donald Trump contra o Papa Leão XIV não são recentes. Em abril, Trump chamou o pontífice de “fraco” e “terrível em política exterior”, após críticas do Papa à guerra no Irã. Essas investidas, segundo a fonte, têm afastado eleitores católicos americanos do ex-presidente, um grupo que representa cerca de 20% do eleitorado republicano.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que antes era vista como uma aliada europeia de Trump, também se distanciou após a guerra no Irã. Ela classificou as palavras de Trump sobre o Papa como “inaceitáveis”, o que gerou uma crise diplomática e acusações de “falta de coragem” por parte do ex-presidente americano. A Itália, com cerca de 12 mil militares americanos em seu território, busca evitar medidas drásticas, como a retirada de tropas americanas, que já ocorreu na Alemanha.

O Papel do Vaticano e a Busca pela Paz

Nesta sexta-feira, o Papa Leão XIV completa seu primeiro ano como líder da Igreja Católica, que conta com 1,4 bilhão de fiéis. Nos últimos meses, ele tem emergido como um crítico declarado da guerra no Irã. Em suas falas, o pontífice reitera o desejo da Igreja de “instaurar seu Reino de justiça, amor e paz para toda a humanidade”.

A Itália, em março deste ano, impediu o uso da base aérea de Sigonella, na Sicília, para uma operação no Oriente Médio, após aviões americanos tentarem pousar sem autorização prévia. Este incidente ressalta a complexidade das relações e a busca por alinhamento estratégico e respeito mútuo, temas centrais nas discussões de Marco Rubio com as autoridades italianas e do Vaticano.

Outras Questões na Agenda Diplomática

Além das tensões com o Irã e as relações EUA-Cuba, a agenda diplomática inclui discussões sobre o Líbano, com um possível encontro entre o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o presidente libanês Josef Aoun. O futuro da missão da ONU no Líbano e a ameaça americana de aumentar tarifas sobre carros e caminhões da União Europeia também estão na pauta.

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