Claude: A IA Que Assusta Governo e Conquista Empresas, Mas Tem o Modelo Mais Perigoso do Mundo

VARIEDADES

Claude: A IA que Gera Fascínio e Alerta Global com Potencial de Risco

No universo em rápida expansão da inteligência artificial, um nome tem ganhado destaque e gerado debates acalorados: o Claude. Desenvolvido pela Anthropic, o chatbot se diferencia por focar em soluções empresariais e por apresentar modelos que especialistas consideram os mais poderosos e, paradoxalmente, perigosos da atualidade.

Essa dualidade tem atraído investimentos significativos e a atenção do público, ao mesmo tempo em que impõe desafios regulatórios e de segurança. A própria Anthropic, ciente dos riscos, advoga por uma pausa global no desenvolvimento de IAs avançadas, buscando tempo para que as pesquisas de segurança acompanhem o ritmo acelerado da tecnologia.

Recentemente, como informado pelo g1, um erro de configuração permitiu que o Claude acessasse a internet, resultando em ataques virtuais contra três empresas durante testes. Esse incidente reforça a necessidade de cautela e controle no desenvolvimento e uso dessas ferramentas, conforme apontado por especialistas consultados pela reportagem.

Anthropic: Da Cautela à Liderança em IA Poderosa

Fundada em 2021 por ex-executivos da OpenAI, a Anthropic tem como filosofia uma abordagem mais ponderada ao desenvolvimento de IA. O lançamento do Claude, em março de 2023, ocorreu após o ChatGPT, mas rapidamente impulsionou a empresa a se tornar a startup de IA mais valiosa do mundo, avaliada em cerca de US$ 965 bilhões, superando até mesmo a OpenAI em valor de mercado.

A empresa protocolou confidencialmente um pedido de IPO nos EUA, com uma avaliação próxima a US$ 1 trilhão, sinalizando sua força no setor. O Claude chegou ao Brasil em agosto de 2024, após o ChatGPT já estar consolidado no mercado nacional desde meados de 2022.

Claude: O Queridinho das Empresas e Profissionais Criativos

O Claude rapidamente se tornou uma ferramenta valiosa para empresas e profissionais de marketing e criação. Recursos como o Claude Skills (2025), que permite à IA aprender tarefas específicas, e o Claude Code e Claude Cowork (2026), que possibilitam ações diretas no computador do usuário, marcaram um “boom” para a Anthropic.

Diogo Cortiz, especialista em IA e professor da PUC-SP, destaca o Claude Code como um marco para a empresa, ampliando sua visibilidade. Izabela Anholett, fundadora da Nura AI, complementa que o Claude é considerado superior ao ChatGPT na produção de textos criativos, roteiros e peças de campanha, automatizando essas funções de forma mais rápida e eficiente.

Apesar do desempenho notável, o potencial máximo do Claude é melhor aproveitado nos planos pagos, que não são acessíveis a todos. No Brasil, o plano Pro custa R$ 110 mensais, com limites de uso, refletindo uma tendência de racionalidade nos custos de IA, segundo Cortiz.

O Domínio do ChatGPT e o Crescimento Acelerado do Claude

Apesar do avanço do Claude, o ChatGPT ainda lidera em número de usuários. Em maio de 2026, o chatbot da OpenAI registrava cerca de 1,1 bilhão de usuários ativos mensais, segundo a Sensor Tower. O Gemini, do Google, aparece em segundo lugar com 662 milhões, impulsionado pelo ecossistema Android.

O Claude ocupa a terceira posição com 224 milhões de usuários ativos mensais, apresentando um crescimento acelerado desde o início do ano. Curiosamente, a participação do ChatGPT caiu abaixo de 50% pela primeira vez em maio de 2026, com 46% dos usuários, seguido pelo Gemini (28%) e Claude (10%).

Nos últimos seis meses, o Claude tem ganhado espaço entre consumidores comuns, com muitos migrando do ChatGPT em busca de IAs capazes de executar tarefas, como organizar arquivos e responder e-mails, em vez de apenas conversar, conforme observado por Cortiz e Anholett.

Claude Mythos e Fable 5: O Poder que Gera Medo e Restrições

Os modelos do Claude demonstram grande potência e cuidado no desenvolvimento, com lançamentos de desempenho competitivo. No entanto, especialistas alertam para os riscos ampliados com sistemas mais avançados. O Claude Mythos, anunciado no início de 2026, é considerado o modelo de IA mais perigoso do mundo.

O Mythos é descrito como extremamente rápido, capaz de encontrar brechas de segurança que passariam despercebidas por humanos. A Anthropic relatou que o sistema encontrou milhares de vulnerabilidades de alta gravidade. Por seu alto poder e riscos à segurança nacional, o Mythos não foi liberado ao público geral, mas sim a um consórcio de empresas e agências governamentais, como Amazon, Apple, Microsoft e Google.

Um exemplo notável foi o uso do Mythos pela Mozilla para analisar o navegador Firefox, identificando centenas de vulnerabilidades que levaram a correções na versão 150 do navegador. Esse caso, segundo Cortiz, demonstra a habilidade real do Mythos em encontrar falhas de segurança, justificando seu acesso restrito.

Em junho de 2026, a Anthropic lançou o Fable 5, parte do Mythos, com desempenho de ponta em diversas áreas. Contudo, a empresa impôs restrições a temas sensíveis como cibersegurança e biologia, direcionando solicitações a versões menos potentes do Claude. No dia 12 de junho, o Fable 5 foi suspenso globalmente após determinação do governo dos EUA por questões de segurança nacional.

Uma reportagem do “The Wall Street Journal” indicou que a Amazon foi crucial para a pausa, após pesquisadores da empresa utilizarem o sistema para auxiliar em ciberataques, informação que chegou à Casa Branca. A Anthropic rebateu, afirmando que suas salvaguardas são robustas.

Anteriormente, em março de 2026, a Anthropic e Donald Trump se envolveram em um embate após o Departamento de Guerra dos EUA classificar a empresa como risco à cadeia de fornecimento, por impedir o uso de sua tecnologia para fins militares. Trump determinou que agências federais interrompessem o uso de programas da Anthropic, alegando risco à segurança nacional.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *