Cuba Restabelece Energia Após Sétimo Apagão Nacional do Ano, Mas Cortes Continuam Devido a Déficit de Geração e Sanções dos EUA

BRASIL

Apagões persistem em Cuba mesmo com restabelecimento da rede elétrica nacional

A população cubana voltou a ter acesso à energia elétrica neste sábado (19), após um apagão nacional que atingiu a ilha. Este foi o sétimo evento dessa natureza no ano, evidenciando a grave crise energética que o país atravessa, intensificada por sanções impostas pelos Estados Unidos e pela obsolescência de sua infraestrutura.

As autoridades cubanas já alertaram que, apesar do restabelecimento do Sistema Elétrico Nacional (SEN), os cortes de energia continuarão frequentes. O motivo é um persistente déficit na capacidade de geração de eletricidade, que não atende à demanda atual.

A União Elétrica de Cuba (UNE) informou que a conexão do SEN foi restaurada em todo o país por volta das 20h de sexta-feira (horário local). No entanto, a normalização do sistema não significa o fim das dificuldades para os cubanos, conforme declarou Lisner Cruz, diretor da UNE, em pronunciamento televisionado.

Crise Energética Agravada por Sanções e Infraestrutura Defasada

O apagão, que começou na sexta-feira, deixou sem serviço as províncias ocidentais, incluindo a capital Havana, e depois se estendeu às demais dez províncias. A UNE levou cerca de 30 horas para restabelecer o fornecimento, um tempo menor que no apagão anterior, no início de janeiro. Contudo, a realidade é que apenas 48% da população de Havana contava com eletricidade na noite de sábado, segundo dados da própria empresa.

Lucía Martínez, moradora da capital, relatou à AFP que tiveram “mais ou menos quatro horas de luz à tarde e depois cortaram de novo”, demonstrando a intermitência do serviço. A situação é reflexo da **obsolescência das sete usinas termelétricas** que sustentam a rede elétrica cubana, um problema crônico que se agrava com a falta de peças e manutenção.

Dificuldades no Fornecimento de Combustível e Previsão de Mais Cortes

Desde janeiro, a crise energética em Cuba se intensificou devido às **sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos**, que incluem um bloqueio ao fornecimento de petróleo. Essa medida dificulta a importação de combustível necessário para operar as usinas termelétricas e os geradores de reserva, que dependem de diesel importado.

Lisner Cruz, da UNE, ressaltou que a disponibilidade de combustível seria crucial para agilizar o restabelecimento da rede elétrica em momentos de falha. Nas últimas semanas, os apagões em Havana já ultrapassaram 30 horas, e em outras províncias chegaram a mais de 60 horas consecutivas.

Acusações Mútuas entre Cuba e Estados Unidos

O governo cubano atribui a **crítica situação do sistema elétrico às sanções americanas**, que estrangulam a economia da ilha. Por outro lado, os Estados Unidos sustentam que os problemas energéticos de Cuba decorrem de uma **má gestão econômica interna** por parte do governo local. A população, em meio a esse impasse, continua sofrendo com a falta de energia, impactando o cotidiano e a economia do país.

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