Empresário Capixaba Preso na Bolívia Há Mais de 40 Dias: “Perdi o Enterro do Meu Pai” Devido a Protestos e Bloqueios

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Empresário Capixaba Vive Drama na Bolívia: Mais de 40 Dias Sem Conseguir Sair em Meio a Protestos e Falta de Combustível

Um empresário capixaba de 40 anos, que partiu em novembro de 2025 em uma viagem de carro pela América Latina com a namorada, encontra-se retido na Bolívia há mais de 40 dias. A situação se agravou devido a uma onda de protestos que bloqueia estradas e impede o abastecimento de combustíveis no país, impedindo o casal de prosseguir sua jornada.

Os protestos, iniciados em maio, são contra o governo do presidente Rodrigo Paz, que assumiu o poder há seis meses. As reivindicações incluem mudanças na política agrária e melhorias na qualidade do combustível. A tensão no país aumenta com a resposta policial que tem utilizado bombas e gás.

Em meio a essa crise, Rafael Darrouy e sua namorada, que preferiu não ser identificada, tiveram que interromper a viagem e se hospedar em Sucre. A situação se tornou ainda mais angustiante quando Rafael não pôde comparecer ao enterro de seu pai, Marcelo Enrique Darrouy Manieu, que faleceu em 9 de junho após complicações de um infarto. Conforme informação divulgada pelo g1, Rafael completou aniversário no dia 10 de junho, sem poder estar com a família.

O Início da Jornada e a Crise Boliviana

Rafael Darrouy, empresário e desenvolvedor de softwares de Vila Velha, na Grande Vitória, e sua companheira paranaense, saíram do Brasil em novembro de 2025 com o objetivo de chegar ao Caribe. Eles já haviam visitado Ushuaia, na Patagônia Argentina, e o Chile.

A intenção inicial era passar 30 a 40 dias na Bolívia para descanso, explorando Sucre e depois seguindo para a Amazônia Boliviana e La Paz. Contudo, a partir de 1º de maio, os protestos se intensificaram, bloqueando as estradas e dificultando a circulação.

“Sucre está cercada e nas últimas três semanas, se eu não me engano, a coisa se intensificou. A cidade ficou completamente bloqueada”, relatou Rafael. A falta de combustível é um dos principais problemas, afetando o abastecimento de postos e a mobilidade.

Documentos Vencendo e a Busca por Soluções

Além das dificuldades de locomoção, os vistos de turista e as permissões para trafegar com o carro em território estrangeiro do casal estão prestes a vencer, no dia 24. Essa proximidade do vencimento aumenta a preocupação de Rafael.

Ele procurou o departamento de imigração em Sucre na quinta-feira (11), mas não obteve uma solução. “Há uma confusão generalizada, porque a imigração não sabe me dizer o que tem que ser feito. Eu fui lá duas vezes e aí a única coisa que me informaram é não existe previsão legal para essa situação. Me disseram que se eu não sair, serei multado”, contou o empresário.

Diante da ameaça de multa, Rafael buscou a Embaixada Brasileira na Bolívia. O órgão emitiu uma carta solicitando às autoridades bolivianas a extensão dos vistos e da permissão do carro para o casal. Rafael planeja retornar ao departamento de imigração em 15 de junho para tentar resolver a situação, receoso de perder o veículo.

Impactos da Crise e a Resiliência Local

A falta de combustível na Bolívia também afetou serviços básicos. Em Sucre, a coleta de lixo foi paralisada, obrigando os moradores a se deslocarem para descartar seus resíduos. “Então, a gente tem que andar algumas quadras para poder jogar o lixo, porque não tem diesel”, explicou Rafael.

Apesar das dificuldades, Rafael se sente aliviado por estar em uma cidade que, segundo ele, “produz o que consome”. A agricultura familiar em Sucre garante o abastecimento de alimentos, evitando desabastecimento geral. Ele pondera que, em um país com agricultura industrial em larga escala, a situação poderia ser pior.

Rafael observou que, mesmo com o clima tenso, os bolivianos continuam suas rotinas. “Ontem (sábado) e antes de ontem (sexta), eu consegui olhar a cidade. Me parece normal, me parece que as coisas estão caminhando normalmente, as pessoas estavam na rua, estavam nas praças, normalmente”, relatou o capixaba.

Reflexões Políticas e Solidariedade

Em meio à sua situação, Rafael expressou uma visão política sobre os acontecimentos na América Latina, apontando a influência de potências como os Estados Unidos e a Europa na desestabilização da região.

“Acho que os países da América Latina têm que resolver os seus problemas internamente, têm que ter autonomia e soberania para conseguir resolver os seus problemas, tomar as suas decisões. Acho que o que eu estou sofrendo aqui é um reflexo de uma desestabilização histórica que acontece na América Latina. Então, eu como brasileiro, tendo a ser solidário pela situação da Bolívia”, concluiu o empresário.

Atualmente, conforme dados da Administradora Boliviana de Rodovias, há ao menos 70 bloqueios terrestres decorrentes de “conflitos sociais” nas principais estradas da Bolívia, dificultando a mobilidade e o abastecimento em diversas regiões do país.

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