Empresas Estrangeiras Deixam Cuba Sob Pressão de Sanções dos EUA, Impacto Devastador na Economia da Ilha Previsto

BRASIL

Sanções dos EUA Forçam Saída de Empresas Estrangeiras de Cuba, Ameaçando a Economia Local

A poucas semanas do prazo final estabelecido pelos Estados Unidos para que empresas estrangeiras cortem laços com o conglomerado econômico-militar cubano Gaesa, um número crescente de companhias anuncia o encerramento ou a substancial redução de suas atividades na ilha. A medida, parte de um endurecimento das sanções impostas pela administração Trump, coloca em xeque a presença de importantes players internacionais em Cuba.

Em 1º de maio, o presidente americano Donald Trump assinou uma ordem executiva intensificando as restrições contra o regime cubano, declarando-o uma ameaça à segurança nacional dos EUA. Essa nova onda de sanções, que já inclui um bloqueio petrolífero, mira especificamente o Grupo de Administração Empresarial S.A. (Gaesa), intimamente ligado às Forças Armadas cubanas.

O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) do Departamento do Tesouro dos EUA definiu o dia 5 de julho como data limite para que empresas com negócios vinculados ao Gaesa se ajustem ou enfrentem severas penalidades, como restrições financeiras e congelamento de ativos. Conforme informação divulgada pela agência de notícias AFP, essas ações já começam a surtir efeito, com importantes redes hoteleiras anunciando sua retirada.

Redes Hoteleiras Internacionais Anunciam Saída de Cuba

A rede hoteleira espanhola Meliá comunicou, em 3 de julho, o encerramento de suas operações em 15 hotéis administrados em parceria com o Gaesa. A empresa citou “acontecimentos e circunstâncias que vêm ocorrendo no contexto geopolítico, social, jurídico e econômico da República de Cuba” como motivo para a decisão.

A Meliá se junta a outras grandes redes que já anunciaram medidas semelhantes. A também espanhola Iberostar deixou de administrar 12 hotéis em associação com o Gaesa, embora mantenha operações com outras seis unidades ligadas ao Ministério do Turismo cubano. A rede canadense Blue Diamond também informou o encerramento de suas operações turísticas na ilha, citando a “situação atual do setor” e a crescente pressão dos Estados Unidos.

O grupo asiático Archipelago International também estuda a possibilidade de limitar sua presença ou abandonar completamente a ilha caribenha, segundo fontes próximas ao setor ouvidas pela AFP. Essas saídas representam um duro golpe para o setor turístico cubano, uma das principais fontes de receita do país.

Impacto Econômico Devastador Previsto para Cuba

A saída de empresas estrangeiras de Cuba pode ter consequências econômicas severas. O economista e consultor cubano Daniel Torralbas alertou que o impacto no curto prazo será “devastador”. Em declarações à AFP, ele previu que “2026 se tornará o pior ano da história econômica de Cuba nos últimos 70 anos”, indicando a magnitude da crise iminente.

A pressão dos EUA sobre o Gaesa também ganha contornos políticos. O senador americano Marco Rubio, um crítico ferrenho do governo cubano, acusou os líderes da ilha de “roubo e corrupção” através do conglomerado. Rubio destacou que o Gaesa, fundado pelo ex-presidente Raúl Castro, controla até 70% da economia cubana e possui ativos estimados em 18 bilhões de dólares, conforme informações do Departamento de Estado dos EUA.

Sherritt é a Primeira Empresa Estrangeira a Anunciar Saída Total

No setor de mineração, também sob o escrutínio de Washington, a canadense Sherritt foi a primeira empresa estrangeira a anunciar sua saída completa de Cuba em 7 de maio. A Sherritt atuava na extração de níquel e cobalto na ilha desde a década de 1990, por meio da empresa mista General Nickel Company S.A.

Em resposta às sanções, o governo cubano tem defendido o papel do Gaesa, criado nos anos 90 com o objetivo de contornar o embargo americano e gerar divisas para o desenvolvimento econômico do país. No entanto, a nova política de sanções dos EUA parece estar minando essa estratégia, forçando empresas a reavaliar seus investimentos e operações na ilha.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *