Estreito de Ormuz Fechado: Irã Anuncia ‘Nova Fase’ e Tráfego de Navios Cai 95%, Preço do Petróleo Dispara

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Irã impõe bloqueio no Estreito de Ormuz, afetando 20% do petróleo mundial e gerando volatilidade no preço do barril

O Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio global de petróleo, encontra-se praticamente paralisado. O Irã anunciou uma “nova fase” para a passagem estratégica, levando a uma drástica redução no tráfego de navios, com apenas seis embarcações tendo atravessado nas últimas 24 horas, um volume ínfimo comparado às cerca de 140 que normalmente transitam.

Essa restrição, que impacta diretamente o fornecimento de cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, tem gerado forte incerteza nos mercados internacionais. A consequência direta é a oscilação e o aumento do preço do petróleo bruto, que, apesar de ter reduzido parte de seus ganhos, manteve-se em alta, negociado a cerca de US$ 100 o barril.

A situação, conforme divulgado pela Reuters, reflete a escalada de tensões na região. A Guarda Revolucionária do Irã tem direcionado embarcações para rotas alternativas, citando o risco de minas navais, e tem dificultado a autorização de travessias. Acompanhe os desdobramentos dessa crise que afeta a economia global.

Líder iraniano anuncia cobrança de pedágio como reparação de guerra

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, declarou que a gestão do Estreito de Ormuz entrará em uma “nova fase” após um eventual conflito com os Estados Unidos. Segundo a TV estatal iraniana, essa nova abordagem pode incluir a cobrança de pedágio dos navios que entram e saem do Golfo Pérsico.

O objetivo, segundo a declaração atribuída ao aiatolá, seria obter “reparação” pelos danos causados pelos ataques dos EUA e Israel. Essa medida, caso implementada, adicionaria uma nova camada de complexidade e custo ao transporte marítimo de petróleo pela região.

Tráfego marítimo em Ormuz despenca, impactando o mercado de petróleo

Os dados de rastreamento de navios divulgados pela Reuters nesta quinta-feira revelam a dimensão do impacto. Apenas seis navios, sendo um petroleiro e cinco graneleiros, passaram pelo estreito nas últimas 24 horas. Esse número contrasta drasticamente com os cerca de 140 navios que normalmente utilizam essa via.

Mais de 180 petroleiros, transportando aproximadamente 172 milhões de barris de petróleo e derivados, permanecem retidos no Golfo, segundo a empresa de rastreamento de navios Kpler, divulgada pela Reuters. Essa retenção massiva de carga contribui para a pressão sobre os preços do petróleo.

Rotas alternativas e risco de minas navais: a estratégia iraniana

A Guarda Revolucionária do Irã, de acordo com a agência de notícias semioficial Tasnim, tem instruído as embarcações a navegarem por águas iranianas ao redor da Ilha de Larak. A medida visa evitar o risco de minas navais nas rotas habituais do estreito, indicando uma operação de controle e potencial ameaça.

A empresa britânica de segurança marítima Ambrey alertou, em comunicado divulgado pela Reuters, sobre a “possibilidade real de risco contínuo para trânsitos não autorizados” e para embarcações ligadas aos EUA e Israel. A empresa também mencionou que, mesmo navios com autorização aparente foram impedidos de passar nas últimas semanas.

O que são minas navais e o poder de dissuasão do Irã

Minas navais são artefatos explosivos submersos ou à deriva, projetados para serem acionados por contato ou por sensores. Estima-se que o governo iraniano possua um estoque entre 2 mil e 6 mil minas navais, armas estratégicas no controle de vias marítimas.

Embora modelos mais simples explodam por impacto, versões modernas utilizam sensores magnéticos, de pressão ou de ruído. Segundo o Strauss Center for International Security and Law, da Universidade do Texas, mesmo que uma mina atinja um navio de grande porte, como um petroleiro, é improvável que cause o afundamento, mas pode gerar danos significativos.

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