EUA e Irã buscam paz: Acordo para cessar-fogo e diálogo no Golfo após ataques e ameaças

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EUA e Irã concordam em interromper hostilidades e retomar diálogo no Golfo após escalada militar

Em um movimento que pode evitar um conflito em larga escala, os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo para interromper as recentes hostilidades no Golfo Pérsico e retomar as negociações sobre a disputa do Estreito de Ormuz. A notícia, divulgada pelo site Axios neste domingo (28), surge após dias de ataques e contra-ataques que ameaçavam a estabilidade da região.

A diplomacia ganha força com a confirmação de que ambos os lados planejam se encontrar em Doha, no Catar, na próxima terça-feira (30). Uma autoridade da Casa Branca, que optou por não se identificar, confirmou à agência de notícias Reuters a interrupção dos ataques, um sinal de otimismo em meio a dias de intensa tensão militar.

Este acordo para retomar as conversações ocorre após um período de intensa troca de ataques. A situação se agravou quando um projétil iraniano atingiu um navio de carga no Estreito de Ormuz na quinta-feira (25). Tanto os EUA quanto o Irã se acusaram mutuamente de violar um cessar-fogo provisório que havia sido acordado em 17 de junho.

Escalada de tensões e ameaças mútuas

A escalada de violência incluiu o lançamento de mísseis e drones iranianos contra instalações militares dos EUA no Kuwait e no Bahrein na manhã de domingo. Essa ação ocorreu logo após o presidente Donald Trump proferir ameaças diretas à liderança iraniana, caso não cumprissem o acordo para encerrar o conflito. Trump declarou que, se os ataques continuassem, a República Islâmica do Irã deixaria de existir.

Em resposta aos ataques iranianos, as forças armadas dos EUA informaram ter atacado alvos no Irã horas após um navio-tanque ter sido atingido no Estreito de Ormuz. Esta rota marítima é considerada vital para o transporte de energia global e tem sido mantida amplamente fechada pelo Irã durante a maior parte do conflito. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, em comunicado divulgado pela emissora estatal Press TV, afirmou que os ataques dos EUA violaram o cessar-fogo e resultariam na “interrupção completa de todos os processos diplomáticos”.

Fragilidade do acordo e cancelamento de conversas

A fragilidade do acordo de paz provisório, que previa um cessar-fogo de 60 dias para negociações definitivas, ficou evidente com o cancelamento de conversas técnicas entre Irã e EUA. O Irã citou os recentes ataques ao país e o não cumprimento de condições do Memorando de Entendimento como motivos para o cancelamento, conforme informado à televisão estatal por um membro do Gabinete de Preservação e Publicação das Obras do Líder Supremo do Irã.

Uma rodada anterior de negociações, mediada e liderada pelo vice-presidente JD Vance e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, ocorreu na Suíça. Na ocasião, Washington suspendeu sanções contra Teerã, mas os combates se intensificaram desde então. O acordo de paz provisório de 14 pontos visava, além de interromper os combates iniciados pelos EUA e Israel em 28 de fevereiro, reabrir o estreito e prosseguir com negociações sobre questões como o programa nuclear iraniano.

Impacto regional e incidentes isolados

A tensão na região também se estendeu a outros conflitos. Israel afirmou ter atacado novamente militantes do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, no Líbano, destruindo infraestrutura subterrânea. Esta ação ocorreu após outro ataque no sábado (27), logo após um acordo de cessar-fogo com o Líbano na sexta-feira. O Irã, por sua vez, considera que o fim deste conflito é crucial para a manutenção do acordo mais amplo.

No Kuwait, as defesas aéreas responderam a ataques com mísseis e drones, enquanto o Bahrein relatou o acionamento de sirenes. Autoridades americanas confirmaram que o Irã visou instalações americanas, mas não houve relatos de baixas ou danos significativos, embora a situação estivesse em desenvolvimento. O Bahrein solicitou uma sessão de emergência do Conselho de Segurança da ONU para responsabilizar o Irã.

O Exército do Kuwait informou ter interceptado dois mísseis balísticos sem danos ou vítimas. Em um incidente separado, o Catar informou que um de seus cidadãos morreu após ferimentos causados por estilhaços em uma embarcação que desapareceu no sábado, atribuindo o ocorrido a “operações militares na região”.

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