EUA impõem sanções contra entidade iraniana criada para taxar o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, elevando tensões na região.
O governo dos Estados Unidos, através do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro, anunciou a aplicação de sanções contra a recém-criada Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA). O Irã estabeleceu esta organização com o objetivo de coordenar o tráfego de embarcações e, crucialmente, cobrar taxas pela passagem de navios comerciais por este corredor marítimo de vital importância estratégica global.
Segundo o comunicado oficial, a PGSA opera em estreita colaboração com o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) e a marinha iraniana. A agência exige que as embarcações forneçam informações detalhadas para obter permissão de trânsito e sigam rotas designadas pelo Irã, próximas à sua costa, enquanto procedem com a cobrança das taxas. Washington afirma que os fundos arrecadados com esses pedágios são **diretamente canalizados para a IRGC**, uma organização já sob sanções americanas.
As novas medidas econômicas integram a **”Operação Fúria Econômica”**, uma campanha lançada pela administração Trump com o propósito de **restringir as fontes de receita do regime iraniano** e o acesso de seus aliados a bilhões de dólares. A iniciativa visa sufocar financeiramente o país e limitar sua capacidade de financiar atividades consideradas desestabilizadoras na região.
Conforme declarado pelo Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, “A mais recente tentativa dos militares iranianos de cobrar taxas do comércio marítimo global é a prova de que a Operação Fúria Econômica deixou o regime desesperado por dinheiro”. A declaração sublinha a percepção americana de que o Irã busca desesperadamente novas fontes de financiamento.
Sanções Abrangem Qualquer Forma de Pagamento e Cooperação
A ação dos Estados Unidos **estende formalmente a ameaça de sanções a qualquer indivíduo ou entidade que cumpra as exigências iranianas ou pague as taxas estabelecidas no Estreito de Ormuz**. Washington alerta que qualquer pessoa ou embarcação que cooperar com a nova autoridade iraniana pode estar, na prática, **fornecendo apoio e recebendo serviços da Guarda Revolucionária do Irã**, o que os expõe a retaliações econômicas.
A proibição de pagamento de taxas é abrangente, incluindo não apenas valores em moeda fiduciária tradicional, mas também **ativos digitais, compensações, swaps informais ou outras contribuições em espécie**. Além disso, o fornecimento de dados sensíveis sobre os navios também é considerado uma forma de cooperação passível de sanção.
Bens da PGSA nos EUA Bloqueados e Risco para Instituições Financeiras Estrangeiras
Com a decisão, **todos os bens e interesses em bens da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA) localizados nos Estados Unidos ou sob a posse ou controle de cidadãos americanos estão bloqueados**. Tais bens devem ser comunicados imediatamente ao OFAC. A restrição também se aplica a qualquer entidade controlada pela PGSA com participação igual ou superior a 50%.
O Departamento do Tesouro também emitiu um alerta severo para instituições financeiras estrangeiras. Aquelas que **conscientemente realizarem ou facilitarem transações significativas em nome da entidade sancionada correm o risco de sofrer sanções secundárias**, o que pode resultar na perda de acesso a contas correspondentes ou de pagamento nos Estados Unidos, prejudicando severamente suas operações globais.
Washington Amplia Pressão e Alerta Contra Apoio ao Comércio Iraniano
O governo americano declarou ainda estar **preparado para tomar medidas contra empresas estrangeiras de outros setores que apoiem o comércio iraniano**, incluindo companhias aéreas. A intenção é **isolar o Irã economicamente** e dificultar qualquer tentativa de contornar as sanções existentes.
A escalada diplomática e econômica em torno do Estreito de Ormuz aumenta a incerteza sobre as negociações entre Irã e Estados Unidos. Recentemente, o presidente Donald Trump mencionou uma proposta para o fim da guerra que envolveria a reabertura imediata do Estreito, mas negou acordo. Ele também rejeitou a ideia de controle da passagem por qualquer país, chegando a ameaçar Omã. A TV estatal iraniana noticiou uma proposta de acordo para reabertura do Estreito, algo negado pela Casa Branca como uma invenção.
