Flamengo: Ex-segurança do Ninho do Urubu indenizado em R$ 580 mil por doença psíquica após incêndio de 2019

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Flamengo é condenado a pagar R$ 580 mil e pensão a ex-segurança do Ninho do Urubu após tragédia de 2019

O Clube de Regatas do Flamengo foi condenado em segunda instância pela Justiça do Trabalho a indenizar Benedito Ferreira, ex-segurança do Ninho do Urubu, em R$ 580 mil, além de pensão mensal vitalícia. Benedito estava de plantão no centro de treinamento no dia do incêndio que vitimou 10 jovens da base em fevereiro de 2019.

O Tribunal reconheceu que o trabalhador desenvolveu **grave doença psíquica ocupacional**, incluindo transtorno de estresse pós-traumático, depressão e síndrome do pânico, como consequência direta dos eventos trágicos. Benedito participou ativamente do resgate de alguns dos meninos, retirando três deles dos contêineres em chamas, correndo risco à própria vida.

A decisão, publicada em 26 de outubro, determinou que o Rubro-Negro pague R$ 430 mil de indenização, com um desconto de R$ 20 mil referentes a um acordo extrajudicial anterior. Somam-se a este valor R$ 150 mil por danos morais e a pensão mensal vitalícia, calculada com base no salário-base que Benedito recebia. A informação sobre a decisão foi divulgada inicialmente pelo portal “ge” e confirmada pelo UOL, com base em informações da Folhapress.

O trauma e o resgate heroico no Ninho do Urubu

A sentença descreve o ato heroico de Benedito: “Exercia suas funções fáticas na vigilância periférica do complexo estrutural e, no instante em que as chamas devoraram os alojamentos, atuou ativamente com risco à própria vida para resgatar crianças vitimizadas que clamavam por socorro pelas janelas dos contêineres inadequados do clube, logrando resgatar três menores, ao passo que uma quarta criança faleceu tragicamente sem que lograsse o trabalhador forças físicas e aparatos técnicos de alcançá-la, provocando sofrimento agudo inestimável”.

Mesmo após o incêndio em 2019, Benedito continuou em tratamento médico psiquiátrico, com tentativas frustradas de adaptação ao trabalho. A perícia judicial confirmou que o quadro de estresse pós-traumático e transtorno depressivo maior se tornou incapacitante de forma total e definitiva. “O quadro patológico de estresse pós-traumático e transtorno depressivo maior é dotado de efeitos cumulativos, cuja dimensão incapacitante total e definitiva só restou formalmente caracterizada por ocasião da realização do exame pericial judicial”, consta em trecho da sentença.

Falhas do clube pesaram na decisão judicial

Um ponto crucial que pesou contra o Flamengo na decisão foi a **ausência de um brigadista técnico habilitado de plantão** no momento do incêndio e a falta de treinamento preventivo para a equipe de segurança sobre o uso de extintores. A perícia apontou transtornos depressivos, de adaptação e de pânico no ex-segurança, com quadro agravado.

A demissão de Benedito em 2022, enquanto ainda sofria as consequências do incêndio, também foi considerada ilegal. A Justiça apontou que a dispensa de um trabalhador em tratamento de doença ocupacional crônica é uma “ilegalidade processual crassa”. Além disso, o clube foi omisso ao não encaminhar o funcionário ao INSS para exames e tratamento previdenciário adequado.

Documentário relembra a tragédia

O documentário “O Ninho: Futebol e Tragédia”, disponível na Netflix e baseado em reportagens do UOL, aprofunda os detalhes sobre o incêndio no centro de treinamento do Flamengo, que chocou o país. A produção relembra o evento que vitimou 10 jovens promessas do futebol.

O Flamengo foi procurado para comentar a decisão, mas não se manifestou até o fechamento desta matéria. O clube tem a possibilidade de recorrer da decisão judicial.

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