Goiana é vítima de golpe milionário contra imigrantes nos EUA; quadrilha é presa
Uma jovem goiana viveu momentos de desespero ao cair em um golpe aplicado por uma empresa que prometia auxiliar imigrantes na obtenção de documentos para a permanência legal nos Estados Unidos. A história, que envolve a perda de uma quantia considerável de dinheiro e a angústia da incerteza, é apenas um dos muitos casos que levaram à prisão de um grupo de brasileiros na Flórida.
A vítima, que preferiu não se identificar, relatou ao g1 ter perdido US$ 1.825, o equivalente a cerca de R$ 9 mil, ao contratar os serviços de uma empresa. O prejuízo poderia ter sido ainda maior, não fosse a percepção da jovem de que algo estava errado, o que a fez interromper os pagamentos antes que fosse tarde demais.
O esquema, que visava imigrantes brasileiros em busca de regularização, movimentou milhões de dólares. A ação policial resultou na prisão de quatro indivíduos apontados como líderes da organização criminosa, que atuava há pelo menos três anos. Conforme informações divulgadas pelo g1, os criminosos teriam arrecadado mais de US$ 20 milhões durante esse período.
O início da promessa e a desconfiança crescente
Morando no Texas, a goiana viu em uma propaganda online a empresa B Consulting, que oferecia auxílio em processos de solicitação de permanência nos EUA. Durante as negociações, no entanto, ela foi informada que os serviços seriam, na verdade, prestados pela empresa Legacy Imigra. A jovem, que já havia ouvido “burburinhos” sobre a Legacy fazer “fast food de documentos”, sentiu a primeira ponta de desconfiança.
“Eu fugi da Legacy porque já havia um burburinho de que a Legacy estava fazendo ‘fast food’ de documentos. Quando eu fechei o contrato e eles me pediram para enviar o material pra Legacy, eu: ‘Peraí. Com a Legacy?’”, relatou a vítima. A comunicação com a empresa ocorria majoritariamente por mensagens de WhatsApp, com o atendimento sendo feito por mais de um consultor.
A jornada de imigração e a perda de prazos
A jovem goiana havia se mudado para os Estados Unidos há quatro anos e meio com visto de turista e, ao decidir permanecer no país, buscou formas de regularizar sua situação. Após iniciar estudos em uma escola de inglês e tentar ingressar em uma faculdade, ela enfrentou um problema com a perda de um prazo pela instituição de ensino. Por ter sido vítima de “stalking” no Brasil, ela decidiu dar entrada em um pedido de asilo.
Para isso, contratou um advogado brasileiro, sem ligação com a Legacy. Contudo, o serviço prometido pelo advogado não foi realizado. Foi então que ela buscou a B Consulting, que propôs um contrato no valor total de US$ 3.200. A goiana iniciou os pagamentos em outubro do ano passado, com uma entrada de US$ 1 mil e mais oito parcelas de US$ 275.
O desaparecimento e o medo de fiscalização
A desconfiança se intensificou em janeiro deste ano, quando a jovem decidiu parar de efetuar os pagamentos. Há cerca de três semanas, ela recebeu uma ligação cobrando as parcelas restantes. Ao expressar sua falta de confiança na empresa e solicitar o dinheiro de volta, os contatos simplesmente desapareceram. Agora, ela busca regularizar sua situação por outros meios, vivendo com o receio de ser alvo das ações de fiscalização contra imigrantes irregulares.
A vítima lamentou que muitas outras pessoas possam ter perdido mais dinheiro do que ela, e expressou preocupação sobre como outras vítimas, que também estão em situação irregular, se sentirão ao expor sua condição para tentar recuperar o que foi perdido. A situação, segundo ela, é muito delicada.
Investigação e prisão dos suspeitos
A investigação que levou à prisão dos brasileiros começou em setembro, após denúncias recebidas pela Ordem dos Advogados da Flórida. Segundo o xerife John Mina, responsável pela operação, os quatro presos seriam os líderes do esquema. As acusações incluem fraude, roubo, conspiração para cometer fraude e lavagem de dinheiro.
O xerife destacou que a maioria das vítimas eram brasileiras e que, até o momento da divulgação, sete vítimas haviam colaborado com as investigações, mas o número real de prejudicados é estimado como muito maior. Cada vítima teria perdido entre US$ 2.500 e US$ 26 mil. A defesa dos brasileiros presos ainda não foi localizada, e o site da Legacy Imigra encontra-se desativado, exibindo uma mensagem de “em manutenção”.
