A “guerra dos mapas” nos Estados Unidos define os rumos do poder político, impactando diretamente as eleições de novembro e a influência de Donald Trump no Congresso.
Em um cenário de intensa disputa política, os Estados Unidos estão no centro de uma batalha para o redesenho de seus distritos eleitorais. A estratégia visa alterar o equilíbrio de poder antes das eleições legislativas de novembro, com o objetivo claro de fortalecer ou enfraquecer o governo do presidente Donald Trump.
Diferente do sistema brasileiro, o Congresso americano passa por renovações parciais a cada dois anos, conhecidas como eleições de meio de mandato ou “midterms”. Com mandatos de dois anos para deputados e seis para senadores, o país renova toda a Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado a cada ciclo eleitoral.
Em 2024, o Partido Republicano garantiu uma maioria apertada em ambas as casas do Congresso, o que permitiu a Trump avançar com sua agenda. No entanto, essa margem estreita também expôs divisões internas, limitando sua força em temas sensíveis. Para tentar ampliar essa vantagem, Trump incentivou o redesenho dos distritos eleitorais em diversos estados, buscando aumentar as chances de eleger mais aliados republicanos.
A Estratégia Republicana e a Reação Democrata
A ofensiva republicana teve início no Texas, um estado com forte representação no Congresso e um reduto do partido. O novo mapa eleitoral, aprovado em agosto de 2025 e já em vigor, foi desenhado para favorecer os republicanos, redistribuindo eleitores e diminuindo áreas de vantagem democrata. A expectativa é que essa mudança possa render ao partido até cinco cadeiras a mais na Câmara.
Contudo, essa estratégia provocou uma reação imediata. A Califórnia, em resposta, decidiu redesenhar seu próprio mapa eleitoral com o objetivo de beneficiar os democratas. A previsão é que essa manobra permita à oposição tomar cinco assentos atualmente ocupados por republicanos, evidenciando a natureza competitiva da “guerra dos mapas”.
Disputa se Espalha por Diversos Estados e Chega à Justiça
As alterações nos mapas eleitorais do Texas e da Califórnia, embora questionadas na Justiça, foram validadas pela Suprema Corte. A disputa, no entanto, se expandiu para outros estados com dinâmicas distintas. No Missouri, o governador republicano sancionou um novo mapa que elimina um distrito democrata, potencialmente garantindo uma cadeira a mais para os republicanos, apesar de contestações populares e judiciais.
Em Ohio, uma regra estadual forçou a criação de um novo mapa, aprovado por uma comissão majoritariamente republicana, que pode aumentar as chances do partido em conquistar até duas cadeiras democratas. Já na Carolina do Norte, a maioria republicana no Legislativo aprovou um novo mapa que pode transferir uma cadeira democrata para o partido.
A batalha jurídica também se manifestou em outros estados. Um juiz de Utah anulou um mapa republicano, determinando a adoção de um desenho independente que pode beneficiar democratas. Na Virgínia, eleitores aprovaram um mapa democrata com potencial para virar quatro cadeiras, mas a votação foi anulada por um juiz estadual, com o caso ainda em disputa. A Flórida também vive uma disputa, com o governador convocando sessão especial para discutir um novo mapa que pode render cinco cadeiras a mais para os republicanos, mas enfrenta barreiras legais por tentar favorecer um partido.
Projeções Indicam Cenários Apertados para Novembro
Pesquisas recentes sugerem que o Partido Republicano corre o risco de perder o controle da Câmara nas eleições de novembro. A queda na aprovação de Donald Trump, influenciada pela situação econômica do país e conflitos internacionais, contribui para esse cenário. O Center for Politics da Universidade da Virgínia projeta vantagem democrata na Câmara, enquanto o Senado tende a manter a maioria republicana, embora com uma disputa mais acirrada.
Outras projeções, como a do jornalista político Logan Phillips, também apontam para uma maior probabilidade de os democratas retomarem o controle da Câmara, com 79% de chance, e uma disputa mais equilibrada no Senado, onde os republicanos detêm 54% de probabilidade de manter a maioria, uma vantagem que vem diminuindo.
