Polícia Civil de São Paulo investiga influenciador por uso de deepfake contra jovens evangélicas
Um influenciador digital está sendo investigado pela Polícia Civil de São Paulo por suspeita de utilizar inteligência artificial (IA) para manipular fotos de jovens evangélicas. O objetivo seria inseri-las em vídeos com conteúdo sexualizado, simulando cenas dentro de templos da Congregação Cristã do Brasil (CCB), sem o consentimento das envolvidas.
Jefferson de Souza, de 37 anos, que atua como humorista, imitador e borracheiro, é o principal suspeito. Ele divulga conteúdos em plataformas como YouTube, Instagram, Facebook e TikTok, apresentando-se como “Silvio Souza”, uma alusão ao apresentador Silvio Santos. Uma das vítimas, uma estudante de 16 anos, procurou a delegacia acompanhada de seus pais para denunciar a manipulação de sua imagem.
As investigações apuram o uso da técnica conhecida como deepfake, que emprega inteligência artificial para criar ou alterar imagens e vídeos de forma realista. Conforme informações divulgadas pelo portal g1, o influenciador teria utilizado uma foto da adolescente, tirada em 2025 em frente ao altar de uma igreja da CCB, e a inserido em um vídeo com outras jovens em poses e vestimentas consideradas inadequadas para o ambiente religioso, incluindo minissaias, que não são comuns nos cultos da CCB.
Deepfake: tecnologia e responsabilidade legal
O deepfake é uma tecnologia que permite a criação de conteúdos falsos, mas extremamente convincentes. Especialistas ouvidos pelo g1 ressaltam que o uso de IA não exime o criador e divulgador de responsabilidade legal. A advogada Nuria López explica que quem produz o material com deepfake é legalmente responsável, assim como quem curte e compartilha, contribuindo para a disseminação.
Os vídeos investigados misturam imagens das vítimas com cenas de cunho sexual e de mulheres com pouca roupa, com o intuito de difamar. Segundo López, “Não dá para o investigado dizer que não tinha a intenção de ofender se as ofensas forem claras.” A pesquisa sobre o uso ilegal de IA para gerar imagens de nudez e sexo envolvendo adolescentes e mulheres tem crescido, segundo a SaferNet Brasil.
A investigação policial e as vítimas
O inquérito policial foi aberto em fevereiro, após a denúncia da estudante de 16 anos. Inicialmente, o caso foi registrado como simulação de cena de sexo ou pornografia com menor de 18 anos por meio digital, com pena prevista de 1 a 3 anos de reclusão e multa. Com a identificação de outras possíveis vítimas, o influenciador também passou a ser investigado por suspeita de difamação.
A polícia analisa diversos vídeos postados pelo influenciador, que frequentemente utiliza o hino da Congregação Cristã do Brasil como trilha sonora. A delegada responsável pede que outras possíveis vítimas procurem a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). Outra jovem relatou ao g1 ter sido alvo de montagens semelhantes, onde sua foto original, de roupas modestas, foi alterada para um vídeo com outra jovem em minissaia.
O impacto emocional e a defesa legal
As vítimas relatam o profundo impacto emocional causado pela manipulação de suas imagens. A estudante de 16 anos expressa vergonha e medo de que o ocorrido afete seu convívio social, apesar de a foto original ter sido tirada apenas como um registro de fé. Seus pais também manifestam o sofrimento e a preocupação com o caso.
A família da adolescente entrou com uma ação na Justiça pedindo indenização por dano moral. O advogado William Valvasori destaca a importância da apuração do crime e do processo de danos morais para um caráter educativo. A família busca justiça para que o ocorrido sirva de exemplo e evite que outras pessoas passem por situação semelhante.
O influenciador e suas justificativas
Em depoimento à polícia, Jefferson de Souza admitiu usar fotos de jovens evangélicas e ferramentas do TikTok para animar e manipular as imagens. Ele alegou desconhecer que a denunciante era adolescente, acreditando ser adulta pelo
