Irã nega ter Forças Armadas destruídas e responde a bloqueio dos EUA com ameaça ao Mar Vermelho
Em um pronunciamento na TV estatal, o comandante do Exército iraniano, Amir Hatami, negou veementemente que a Marinha e a Força Aérea do país tenham sido destruídas em ataques recentes atribuídos aos Estados Unidos e Israel. Hatami declarou que a frota iraniana “segue firme” e que o inimigo se mantém a uma distância de 300 quilômetros.
Ele também rebateu as alegações sobre a Força Aérea, afirmando que o Irã demonstrou sua capacidade ao escoltar um convidado com o dobro de aeronaves do que seria necessário para a escolta proposta pelo adversário. A declaração surge em meio a um aumento das tensões e a um bloqueio militar imposto pelos EUA no Estreito de Ormuz.
Enquanto o Irã contesta as informações, o Secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, reafirmou a prontidão militar americana e a continuidade do bloqueio, que visa pressionar o país a aceitar um acordo. As negociações de paz, que fracassaram recentemente no Paquistão, continuam em um cenário de escalada verbal e movimentação de tropas.
Forças Iranianas “Firmes” Segundo Teerã
O comandante iraniano enfatizou a resiliência de suas forças navais e aéreas. “Dizem que a Força Aérea do Irã foi destruída. Ontem, tivemos um convidado; assim que ele entrou no espaço aéreo do país, anunciamos que não havia necessidade dos aviões dele. Com o dobro do número de aeronaves que eles pretendiam trazer para escolta, nós mesmos escoltamos nosso convidado”, afirmou Hatami, como divulgado na TV estatal.
Ele também mencionou que a Marinha do país opera normalmente, apesar das alegações americanas de sua destruição. A declaração busca descreditar as narrativas que circulam sobre a fragilidade militar iraniana diante da pressão exercida pelos Estados Unidos e Israel.
EUA Mantêm Bloqueio e Ameaçam com Mais Ações Militares
Em contraste, o Secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, declarou em coletiva de imprensa no Pentágono que as Forças Armadas americanas estão “prontas para retomar o combate se o Irã não aceitar um acordo”. Ele reiterou que a Marinha iraniana foi “completamente destruída” e que o bloqueio militar no Estreito de Ormuz, em vigor desde segunda-feira (13), será mantido “pelo tempo que for necessário”.
Hegseth alertou que, caso o Irã faça “escolhas ruins”, “bombas cairão sobre a infraestrutura, o setor elétrico e energético”. A fala foi uma clara ameaça de retaliação caso Teerã não ceda às exigências americanas nas negociações de paz.
Iranianos Afirmam Furar Bloqueio e Ameaçam o Mar Vermelho
O Irã, por sua vez, informou que duas de suas embarcações conseguiram furar o bloqueio marítimo e atravessar o Estreito de Ormuz. As autoridades iranianas também emitiram um comunicado afirmando que, caso o bloqueio americano persista, as Forças Armadas do país agirão para **bloquear o fluxo comercial no Mar Vermelho**. A Guarda Revolucionária iraniana declarou que não permitirá importações e exportações no Golfo Pérsico e no Mar de Omã.
O Comando Militar conjunto do Irã disse que 10 navios iranianos foram impedidos de atravessar o estreito desde que o bloqueio entrou em vigor. O Comando Central das Forças Armadas dos EUA divulgou áudios de militares americanos ordenando que navios “dessem meia-volta” e se preparassem para serem “abordados”, numa tentativa de pressionar financeiramente o Irã.
Envio de Militares e Negociações em Andamento
Paralelamente à escalada de tensões, os Estados Unidos anunciaram o envio de mais de 10 mil militares para o Oriente Médio, conforme reportagem do “The Washington Post”. A movimentação inclui cerca de 6.000 soldados a bordo do porta-aviões USS George H.W. Bush e outros 4.200 militares do Grupo Anfíbio de Prontidão Boxer. Essas tropas se somam a aproximadamente 50.000 americanos já na região.
Ao mesmo tempo, a Casa Branca informou que os EUA estudam uma segunda rodada de negociações de paz com o Irã no Paquistão e se mostram otimistas quanto à possibilidade de alcançar um acordo. Analistas veem o envio de tropas adicionais como uma forma de exercer pressão sobre Teerã antes de uma nova rodada de conversas, que pode ocorrer em breve.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, recebeu uma delegação paquistanesa, e o país mantém contatos com os EUA através do Paquistão desde o fracasso das últimas negociações. O Irã reafirmou o seu direito ao uso pacífico da energia nuclear, embora a porcentagem de enriquecimento seja considerada “negociável”, segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei.
