Irã e Omã em fase final de acordo para nova rota marítima no Estreito de Ormuz, com condições que incluem compensação por ações dos EUA.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, anunciou que o país e Omã estão avançados nas negociações para um novo acordo sobre uma rota de navegação alternativa através do Estreito de Ormuz. Esta importante via marítima é crucial para o comércio global de petróleo, respondendo por cerca de 20% do suprimento mundial.
As conversas entre Teerã e Mascate focam em estabelecer uma rota temporária enquanto as questões técnicas e legais para uma rota permanente são resolvidas. No entanto, o Irã impõe condições para a reabertura total do estreito, exigindo compensação pelos que considera serem violações americanas do Memorando de Entendimento de Islamabad.
Este acordo, firmado em junho com o objetivo de reduzir tensões e garantir um cessar-fogo no Oriente Médio, enfrentou dificuldades menos de duas semanas após sua assinatura. Divergências sobre a circulação de navios no Estreito de Ormuz e a continuidade dos confrontos entre Israel e Hezbollah geraram acusações mútuas entre Washington e Teerã.
Memorando de Entendimento de Islamabad e tensões no Estreito de Ormuz
O Memorando de Entendimento de Islamabad, assinado em 17 de junho, visava a desescalada da crise na região. Contudo, o documento foi posto em xeque por divergências sobre a navegação no Estreito de Ormuz e os confrontos entre Israel e Hezbollah. A situação escalou com ameaças e acusações de descumprimento entre Estados Unidos e Irã.
Em um episódio notório, o presidente americano Donald Trump chegou a cancelar um ataque contra o Irã, alegando que o país e outras nações do Oriente Médio haviam solicitado a suspensão em troca de um acordo. Trump declarou em 1º de agosto que o cancelamento era para o benefício do mundo e da prosperidade do Irã, condicionando-o à rápida conclusão de um acordo.
Na época, Teerã negou negociações diretas com os EUA, afirmando que as únicas tratativas em andamento eram com Omã e focavam na gestão conjunta do Estreito de Ormuz. A dinâmica das relações bilaterais e regionais continua a influenciar a segurança e o fluxo comercial na vital hidrovia.
Ataque a navio-tanque intensifica preocupações na região
Em meio ao clima de tensão, o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz tem sido impactado. No sábado, os Emirados Árabes Unidos acusaram o Irã de atacar um navio-tanque ligado à sua estatal de petróleo, a ADNOC. A embarcação teria sido atingida por um míssil enquanto navegava pelo canal, segundo a agência estatal WAM.
A ADNOC confirmou o incidente, informando que a situação estava sob controle e que não houve feridos. O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos classificou o ataque como uma violação de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre liberdade de navegação. A Guarda Revolucionária do Irã foi acusada de “atos de pirataria” por visar navios comerciais e utilizar a hidrovia como ferramenta de pressão econômica.
O comunicado emiliano apelou ao Irã para que cesse os ataques e reabra o estreito de forma plena e incondicional. Desde o início dos conflitos na região, o transporte marítimo tem sofrido interrupções frequentes, elevando os custos de frete e gerando apreensão quanto à segurança regional e à oferta global de petróleo, o que impulsionou os preços da commodity no mercado internacional.
