Israel arranca oliveiras palestinas antes da colheita: “Não nos deixaram nada”, lamentam agricultores na Cisjordânia

BRASIL

Israel destrói oliveiras palestinas em véspera de colheita crucial na Cisjordânia

Moradores palestinos expressaram profunda tristeza e revolta na Cisjordânia ocupada após o Exército de Israel ter utilizado tratores para arrancar centenas de oliveiras. A ação ocorreu poucos dias antes do início da tradicional colheita anual de azeitonas, um evento de grande importância econômica e cultural para a população local.

As árvores centenárias, símbolo da conexão palestina com suas terras, foram destruídas, deixando um rastro de desolação e incerteza. Agricultores como Abd Alfattah Tamimi, de uma aldeia próxima a Ramallah, viram suas esperanças serem esmagadas junto com os troncos de suas oliveiras.

A destruição das oliveiras palestinas levanta sérias questões sobre o impacto na subsistência de milhares de famílias e na economia local, que depende fortemente da produção de azeitonas e azeite. Conforme informação divulgada pela agência Reuters, o Exército israelense não forneceu justificativas imediatas para a ação, mas já alegou em ocasiões anteriores que o corte de árvores visa prevenir ameaças e emboscadas contra suas tropas na região.

Oliveiras centenárias destruídas às vésperas da colheita

Abd Alfattah Tamimi, proprietário de um olival em terras de sua aldeia perto de Ramallah, descreveu a cena devastadora. Ele relatou ter visto um trator militar esmagar o topo de uma de suas oliveiras e arrancar suas raízes. “Todas as nossas oliveiras, incluindo as recém-plantadas, foram arrancadas. As dos nossos vizinhos também foram arrancadas”, lamentou Tamimi, que possui, junto com seus vizinhos, quase 3,6 hectares de terra com oliveiras.

Justificativas de segurança e críticas de grupos de direitos humanos

Embora o Exército israelense tenha afirmado que estava verificando o pedido de comentários da Reuters, não houve resposta oficial imediata sobre os motivos específicos da destruição. No entanto, em situações anteriores, as Forças de Defesa de Israel já justificaram ações semelhantes alegando a necessidade de desmatar áreas com oliveiras para **evitar ameaças à segurança ou emboscadas contra suas tropas**, que ocupam o território palestino.

Grupos palestinos de direitos humanos refutam veementemente essas justificativas. Eles afirmam que a destruição sistemática das oliveiras, na prática, **priva os agricultores palestinos de sua principal fonte de renda**, proveniente da venda de azeitonas e azeite. Além disso, as árvores são consideradas por muitos como um **símbolo sagrado de sua conexão ancestral com a terra**.

Impacto econômico e social da destruição das oliveiras

A colheita de azeitonas, que geralmente se inicia na primeira semana de outubro, é um pilar da agricultura palestina. Este setor é vital para a economia, representando cerca de **8% do PIB e garantindo mais de 60 mil empregos**, de acordo com dados do Ministério da Agricultura da Autoridade Palestina. A destruição das árvores antes da safra representa, portanto, um **golpe econômico severo**.

Ativistas e agricultores palestinos já esperavam uma temporada de colheita instável, em meio a um **número recorde de ataques de colonos israelenses** contra palestinos e recursos naturais na Cisjordânia. Nather Tamimi, outro proprietário de terras na região da vila de Deir Nizam, perto de Ramallah, destacou a dor adicional de perder as árvores tão perto do início da colheita.

“Desta terra, meus irmãos e eu produzimos 120 barris de azeite. Nossos vizinhos produzem a mesma quantidade”, disse Tamimi, com o olhar perdido em seu olival destruído. “Eles arrancaram árvores por toda parte, até mesmo entre as casas”, completou, evidenciando a extensão da devastação.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *