Novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, assume cargo e promete erradicar plantações de coca com herbicidas
O advogado e empresário Abelardo de la Espriella tomou posse nesta sexta-feira (7) como presidente da Colômbia, em uma cerimônia realizada na cidade de Cali. A posse, fora da capital Bogotá após autorização do Congresso, marca o início de um governo de direita em um país historicamente polarizado.
Em seu discurso inaugural, Espriella defendeu a democracia colombiana e solicitou respeito ao resultado das eleições, em meio a contestações da oposição. Ele enfatizou que as eleições ocorreram sob as mesmas regras e garantias que elegeram o governo anterior.
O novo presidente, que venceu o senador Iván Cepeda por uma margem de 250 mil votos, apresentou-se como um candidato antissistema, propondo endurecimento contra o crime organizado, redução de gastos públicos e ampliação da exploração de petróleo. Conforme divulgado pelo g1, Espriella também homenageou o senador Miguel Uribe Turbay, classificando-o como “mártir” da campanha, e associou sua morte ao governo anterior, algo que as investigações oficiais não confirmam diretamente.
Foco no combate ao crime e erradicação da coca
Espriella determinou às Forças Militares e à Polícia Nacional o combate rigoroso às organizações criminosas e ao narcoterrorismo. Ele declarou que os membros dessas organizações têm duas opções: submeter-se à lei ou enfrentar a força do Estado, proclamando “O Tigre chegou”, seu apelido de campanha.
Uma das promessas de campanha que ganha destaque é a erradicação dos cultivos de coca através do uso de pesticidas em massa. O presidente assegurou que os produtos a serem utilizados não apresentarão riscos à saúde humana nem ao meio ambiente, e que estarão em conformidade com as decisões da Corte Constitucional.
Críticas ao governo anterior e legado de Uribe
O novo presidente fez referências à experiência de combate à violência durante o governo de Álvaro Uribe Vélez no início dos anos 2000, defendendo que a segurança é construída com autoridade e perseverança, e não com concessões ao crime. Ele citou o caso do senador Miguel Uribe Turbay, assassinado em 2025, associando sua morte a “interlocutores do regime que hoje termina”, em alusão ao governo de Gustavo Petro.
É importante notar que as investigações oficiais sobre o atentado contra Miguel Uribe Turbay apontaram motivação política e atribuíram o planejamento à dissidência das Farc conhecida como Segunda Marquetalia, sem indícios de envolvimento direto de Petro ou de membros de seu governo.
Oposição anuncia resistência pacífica
Enquanto a posse ocorria em Cali, o senador Iván Cepeda, derrotado por Espriella, liderou um ato em Barranquilla convocando a “resistência” ao novo governo. Cepeda classificou a manifestação como um ato de “desobediência civil, resistência e soberania popular” e afirmou que a oposição não reconhece a legitimidade do novo presidente.
Cepeda declarou que a oposição atuará de forma pacífica e dentro da Constituição, mantendo-se aberta ao diálogo institucional. Ele ressaltou que qualquer ato do novo governo que viole direitos fundamentais será respondido de forma firme, mas pacífica. A oposição, que conta com a maior bancada no Congresso, busca preservar as políticas sociais implementadas nos últimos quatro anos.
Polarização e expectativas para o novo governo
A realização da posse em Cali gerou controvérsia, com parlamentares ligados ao governo anterior votando contra a mudança e anunciando boicote. A posse simboliza o fim do governo de Gustavo Petro e uma guinada à direita na política colombiana.
Nas últimas semanas, De la Espriella antecipou prioridades como a criação de uma força especial contra a criminalidade urbana, a revisão da estratégia de segurança e um plano de austeridade. O novo presidente assume em um cenário de forte polarização e sob expectativa sobre as primeiras medidas que confirmarão a mudança de direção prometida em campanha.
