Juiz Federal Anula Inclusão do Nome de Trump no Kennedy Center e Bloqueia Reformas
Um juiz federal dos Estados Unidos, Christopher Cooper, determinou que a inclusão do nome do ex-presidente Donald Trump no Kennedy Center foi ilegal. A decisão, proferida nesta sexta-feira (29), também bloqueou o plano do governo para fechar o tradicional centro cultural para uma grande reforma, gerando forte repercussão nos EUA.
A alteração do nome e o plano de reforma foram decididos pelo conselho do Kennedy Center em março, mas o juiz Cooper considerou a ação “mal fundamentada e aparentemente pré-determinada”, sem levar em conta as obrigações legais da instituição. A decisão judicial ocorreu após audiências em abril sobre ações judiciais que contestavam o projeto.
Em resposta, Donald Trump anunciou que enviará uma proposta ao Congresso, de maioria republicana, para que a instituição retorne ao controle legislativo. Isso daria ao Congresso o poder de decidir pela reinclusão de seu nome e pela aprovação da reforma, conforme informação divulgada pela fonte do conteúdo.
Conselho do Kennedy Center Ultrapassou Limites Legais, Afirma Juiz
O juiz Christopher Cooper, da Corte Distrital de Washington, concluiu que o conselho do Kennedy Center “ultrapassou os limites previstos em lei” ao adicionar unilateralmente o nome de Trump ao centro cultural. Segundo ele, como o Congresso americano foi o responsável por batizar o Kennedy Center em homenagem a John F. Kennedy, apenas o próprio Congresso teria a prerrogativa de alterar o nome oficial do espaço.
A vice-presidente de relações públicas do Kennedy Center, Roma Daravi, expressou confiança de que a decisão será revertida em instâncias superiores. Ela ressaltou a necessidade de uma “restauração urgente e significativa” no prédio e mencionou que Trump garantiu US$ 257 milhões para o projeto, verba esta aprovada pelo Congresso.
Trump Promete Levar Questão ao Congresso para Retomar Controle
Em sua rede social, Truth Social, Donald Trump declarou que apresentará uma proposta para que o Kennedy Center retorne ao controle do Congresso. Atualmente, o centro opera como uma parceria público-privada. A “reestatização”, como Trump a descreve, permitiria que o Congresso, com sua maioria republicana, decidisse sobre a recolocação de seu nome e a autorização para as reformas.
Trump criticou a oposição democrata, afirmando que eles se preocupam mais em “se opor ao seu presidente favorito” do que em salvar um centro de artes cênicas em dificuldades financeiras. Ele mencionou que “trabalharemos com o Congresso para transferir esta instituição falida de volta para eles, para que possam decidir o que fazer com ela”, em sua característica retórica inflamada.
Ações Judiciais e Temores sobre Preservação Histórica
A decisão do juiz atende, em parte, a um pedido da deputada democrata Joyce Beatty, integrante do conselho do Kennedy Center, que apresentou uma ação judicial. No entanto, o pedido de organizações ligadas à preservação histórica e cultural foi rejeitado. Advogados do Departamento de Justiça argumentaram que as reformas eram limitadas e dentro da autoridade do conselho gestor.
Por outro lado, os autores das ações expressaram receio de que Trump e seus aliados pudessem ignorar regras de preservação histórica do prédio. Em audiências anteriores, advogados citaram declarações do ex-presidente sobre a intenção de “expor completamente” a estrutura metálica do edifício. Beatty também manifestou preocupação com possíveis mudanças radicais, comparando o caso a alterações promovidas por Trump na Casa Branca.
Kennedy Center Continua com Apresentações Apesar da Disputa
Apesar da disputa judicial, o Kennedy Center segue com suas apresentações, embora em ritmo reduzido. Trump esteve presente na estreia do musical “Chicago” em março, e outros espetáculos, como “Moulin Rouge”, estão programados para junho. O comediante Bill Maher receberá o Prêmio Mark Twain de Humor Americano em 28 de junho, evento considerado uma das últimas grandes cerimônias antes do fechamento planejado.
