Mandante de Assassinato da Esposa em MG é Preso 21 Anos Após o Crime em SP, Após Fugir por 2 Anos

BRASIL

Homem condenado por mandar matar esposa é preso 21 anos após o crime em São Paulo

Um homem, que estava foragido há cerca de dois anos, foi preso na última quinta-feira (15) em Embu-Guaçu, na região metropolitana de São Paulo. Ele foi condenado pela morte da própria esposa, crime ocorrido em agosto de 2005 em Minas Gerais. A prisão encerra um longo período de liberdade, apesar da condenação.

O caso remonta a 2005, quando o homem, na época com 31 anos, teria contratado um assassino para tirar a vida de sua esposa. A motivação, segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG), seria a suspeita de traição. O crime foi meticulosamente planejado para simular um assalto.

A vítima foi atraída para um local isolado na zona rural de Viçosa (MG) sob o pretexto de um passeio de bicicleta. No local, o matador de aluguel efetuou quatro disparos à queima-roupa. Conforme a denúncia apresentada à Justiça em 2007, o mandante teria pago R$ 5.000 pelo serviço. O caso teve uma longa trajetória judicial, com recursos e reviravoltas que permitiram ao condenado aguardar em liberdade por grande parte do tempo.

Condenação e liberdade condicional: uma saga judicial

Em outubro de 2011, um júri popular condenou o homem a 17 anos e seis meses de prisão. Na ocasião, o juiz permitiu que ele recorresse da decisão em liberdade. A defesa apresentou recursos, e a pena foi reduzida para 14 anos e seis meses em segunda instância.

Apesar de a condenação ter sido confirmada em março de 2016, com a determinação de prisão, o homem permaneceu detido por menos de um mês. Ele obteve um habeas corpus, garantindo o direito de aguardar em liberdade o esgotamento de todos os recursos judiciais. Esse período de espera se estendeu por oito anos.

Reviravolta e prisão após decisão do STF

A situação mudou em outubro de 2024, quando o MP-MG solicitou novamente a prisão do condenado. O pedido foi baseado em uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possibilidade de execução imediata de condenações proferidas por tribunais do júri, independentemente da pena aplicada.

O homem, agora com 46 anos, estava foragido há aproximadamente dois anos. Ele foi localizado e preso em Embu-Guaçu, onde trabalhava em uma comunidade terapêutica. A operação que resultou em sua captura contou com a colaboração das polícias militares de Minas Gerais e São Paulo.

Encaminhamento e futuro do condenado

Após a prisão, ele foi levado para o anexo carcerário da Delegacia de Polícia de Itapecerica da Serra, em São Paulo. A expectativa é que ele seja transferido para um presídio em Minas Gerais, onde cumprirá o restante da pena.

O caso evidencia a complexidade dos processos judiciais e o impacto de decisões superiores na execução de penas. A prisão do homem, 21 anos após o crime e 15 anos após a condenação em primeira instância, encerra um capítulo de fuga e espera judicial.

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