Brazil Week 2026: Nova York vira palco de luxo, negócios e polêmicas para a elite brasileira
A tradicional Brazil Week tomou conta de Nova York em maio de 2026, reunindo a nata do empresariado e da política brasileira na badalada cidade americana. O evento, que anualmente atrai os principais nomes do país, serve como um ponto de encontro para discussões sobre a economia brasileira, networking e a celebração de negócios, tudo regado a dólares e em inglês.
Este ano, no entanto, a semana de eventos foi marcada por algumas ausências notáveis no cenário político e pela sombra de escândalos recentes, como o caso Master, que influenciaram a participação de figuras importantes. A atmosfera, apesar do luxo e da grandiosidade, carregava discussões sobre a conjuntura econômica e o futuro do Brasil no cenário internacional.
Conforme informações divulgadas, a semana de eventos em Nova York, que se tornou um ponto de encontro anual para a elite brasileira, teve como objetivo principal a atualização de contatos e a demonstração de influência, com uma expectativa de fechamento de negócios menos proeminente.
Baixa participação política e o eco do caso Master
Em 2026, a presença de políticos na Brazil Week foi significativamente menor. O caso Master e o início da corrida eleitoral foram apontados como os principais motivos para a ausência de figuras como o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Nogueira, que havia sido alvo de uma operação policial dias antes, suspeito de receber mesadas vultosas, era uma figura presente em eventos anteriores, incluindo festas privativas em 2024 patrocinadas pelo empresário Daniel Vorcaro, dono da Master.
O evento Diálogos Esfera New York, em anos anteriores, contou com o copatrocínio da Master, evidenciando a relação entre os grupos presentes. A ausência de políticos, em contraste com anos anteriores, sugere um cenário de maior cautela e escrutínio público.
O reencontro no Cipriani e a presença de Joesley e Donald Trump Jr.
O seleto grupo de bilionários brasileiros se reuniu em um nobre endereço ao sul de Manhattan, no Cipriani, um conhecido espaço de eventos e restaurante. Entre os presentes, destacou-se Joesley Batista, que, abordado por jornalistas, optou por sorrisos e poucas palavras, mas foi lembrado por seu papel como interlocutor entre os presidentes Lula e Donald Trump em questões tarifárias e relações bilaterais.
Na sala VIP, Joesley reencontrou seu irmão e sócio, Wesley Batista. Ambos foram apresentados a Donald Trump Jr., filho do ex-presidente dos EUA e vice-presidente das Organizações Trump. Enquanto os 300 convidados circulavam pelo salão, servindo-se de canapés sofisticados, os irmãos Batista e Trump Jr. conversavam em um círculo mais restrito.
O Cipriani Broadway, com sua arquitetura neorrenascentista italiana e localização privilegiada em frente ao famoso touro de Wall Street, proporcionou um cenário suntuoso para o evento, com projeções de skyline de Nova York e fogos de artifício simulados, sempre com o logotipo do Grupo Esfera em destaque.
Debate em inglês: JBS, EUA e a busca por um modelo de sucesso
O debate principal, patrocinado pelo BTG, JBS e Vale, teve como participantes o banqueiro André Esteves, Wesley Batista e Donald Trump Jr. A conversa, conduzida em inglês, abordou a qualidade do ambiente de negócios nos Estados Unidos e a aspiração brasileira por uma maior aproximação com o país anfitrião.
Wesley Batista compartilhou dados surpreendentes sobre a litigiosidade no Brasil em comparação com os EUA. Ele mencionou que a JBS possui 30 mil disputas judiciais em curso no Brasil, enquanto nos Estados Unidos, o número é zero. Para ilustrar, ele contrastou o departamento jurídico brasileiro com 150 advogados e colaboradores externos, com a equipe americana de apenas dez pessoas.
“Podemos combinar as experiências do Brasil e dos EUA e ninguém no mundo poderá competir conosco, Donald Trump”, declarou Wesley, demonstrando otimismo. Trump Jr., em tom de brincadeira, respondeu: “Eu concordo! Está contratado!”. Ele demonstrou mais preocupação com adversários políticos de seu pai do que com o Brasil, defendendo a política de tarifas de seu pai e a necessidade de os EUA atuarem no hemisfério.
André Esteves, por sua vez, argumentou que o Brasil, cultural e sociologicamente, se assemelha mais aos Estados Unidos do que a outros países latino-americanos, devido à sua base de imigração e miscigenação.
Eventos paralelos: Lide e o distanciamento de elites
A dez quilômetros dali, em Midtown, ocorria outro jantar promovido pelo Lide Brazil Investment Forum, organizado por João Doria, reunindo o ex-presidente Michel Temer e outros convidados no Le Bernardin. O evento, patrocinado pelo Spotify, contou com um coquetel e show de Michel Teló.
Apesar de Doria se considerar o precursor da Brazil Week, a edição de 2026 viu uma baixa adesão de políticos de alto escalão, como Flávio Bolsonaro, Arthur Lira e Tarcísio de Freitas, que não compareceram, gerando irritação no anfitrião. O caso Master e a crise no Supremo Tribunal Federal dominaram as conversas informais.
Luxo e desigualdade: A visão do mercado de alta renda
Durante a semana, José Auriemo Neto, presidente do conselho da JHSF, foi homenageado como “Person of the Year” pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. Ele celebrou a expansão do mercado de luxo, mesmo em um cenário de crescente concentração de renda no Brasil, conforme apontado por dados do IBGE que indicam que os 10% mais ricos receberam quase 14 vezes mais que os 40% mais pobres em 2025.
Auriemo destacou a resiliência da alta renda, com crescimento de 15% a 20% ao ano no consumo de shoppings e valorização de imóveis. Ele observou que, em alguns casos, “faz mais sentido fora do Brasil do que dentro do Brasil” para oportunidades de expansão.
Autonomia financeira feminina e o “SC Day”
Em outro segmento, Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, anunciou uma plataforma de pós-graduação em finanças para mulheres, visando conquistar a autonomia financeira. A iniciativa, segundo ela, busca lidar com questões comportamentais de raízes históricas.
O Harvard Club foi palco do “SC Day”, evento organizado pela plataforma de investimentos Apex Partners, com foco em empresários catarinenses. Paulo Bornhausen, secretário de Articulação Internacional de Santa Catarina, explicou a razão de realizar um evento para brasileiros em Nova York: “Em São Paulo eles não têm tempo”.
O evento contou com um vídeo-selfie de Gisele Bündchen elogiando um empreendimento imobiliário de luxo, que viralizou entre os presentes. Apesar do luxo e do networking, alguns participantes expressaram cansaço com viagens e conversas repetitivas, indicando um certo esgotamento com o formato do evento.
